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		<title>Lula estuda alternativas à “PEC da Transição” e vai trucar blefe do mercado financeiro contra Haddad</title>
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		<dc:creator><![CDATA[LUÍS COSTA PINTO]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 28 Nov 2022 00:23:15 +0000</pubDate>
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		<category><![CDATA[Transição]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Presidente eleito chega a Brasília com o roteiro da 2ª temporada da minissérie da transição na cabeça. Pode haver plot twist na PEC. Haddad estará na Fazenda ou Planejamento</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Por Luís Costa Pinto</em></strong></p>



<p>Desde a vitória eleitoral, em 30 de outubro, no desnecessário segundo turno da eleição presidencial brasileira de 2022, o ex-metalúrgico e líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva dá aulas magnas de Ciências Políticas.</p>



<p>Deixou que falassem em “PEC da Transição” e, com isso, deu corda ao presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). Ganhou tempo, aglutinou uma frente anti-PEC no Congresso, no Judiciário e entre economistas, e pôs no rumo da bola 7 num bilhar qualquer da Vila Planalto o puxadinho do pornográfico orçamento secreto”. A PEC não deve sair, liquefez-se, e Lira terá de voltar a fazer as contas e a traçar estratégias para se reeleger presidente da Câmara.</p>



<p>Lula também escutou as baboseiras chinfrins da entidade etérea chamada “mercado financeiro” e assistiu de camarote levantarem-se a favor de suas teses de campanha vozes da mídia tradicional e economistas liberais. Agora, essa turma antes ácida ao ex-presidente (e futuro), fundador e principal liderança do Partido dos Trabalhadores, ecoa críticas aos analistas que falam pelos cotovelos a soldo de bancos e de bancas. Na esteira desses esquetes, imaginaram ter forças para esboçar a escalação da área econômica do novo governo, ou, ao menos sonhavam, poderiam vetar e enquadrar quem lhes fosse antipático. Não conhecem Luiz Inácio, homem que adora jogar truco e teoriza sobre blefes à mesa de um bom e despretensioso carteado.</p>



<p><strong>HÁ UM LULA RENOVADO EM CENA</strong></p>



<p>Lula tem falado pouco de temas realmente sérios e profundos. E, quando o faz, é com escassos interlocutores. Ouve com dedicação outrora incomum a todos que conseguem entrar em sua sala de despachos. Caso a conversa não se revele pragmaticamente interessante para ele, atalha com temas aleatórios e trata de encerrá-la na primeira oportunidade. Confronta ideias diferentes com interlocutores diversos. Não conta tudo o que pensa a ninguém – nem mesmo à companheira Rosângela, que se tornou sua terceira esposa no curso da campanha. Se Janja pedir algo, sabe que não resistirá a atendê-la. Portanto, evita o arremate final nas conversas, deixando-as inconclusivas ao menos no atual estágio da montagem da equipe. Isso não é esperteza vã, é sabedoria.</p>



<p>O presidente eleito não economiza elogios a personagens que podem ser considerados coadjuvantes da minissérie “Transição”, mas, nem por isso não menos importantes, como o vice-presidente eleito Geraldo Alckmin e os futuros ministros Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Jaques Wagner. Eles seguram a trama enquanto o roteirista final, que é também o protagonista central, não decide o desfecho da segunda temporada.</p>



<p>O marco final da primeira temporada, que durou 29 dias, é o pós-jogo de Brasil x Suíça no Mundial do Catar, quando Lula já deverá estar em Brasília. A partir da terça-feira, 29 de novembro, o ex-presidente, eleito para seu terceiro mandato que se inicia em 1º de janeiro de 2023, contabiliza um prazo de 33 dias até receber a faixa presidencial dos presidentes do Congresso e do Supremo Tribunal Federal.</p>



<p>No dia da posse, o senador Rodrigo Pacheco e a ministra Rosa Weber estarão pajeados por representantes de movimentos populares, em solenidade pública consagradora a ser encenada na Esplanada dos Ministérios, ao pé da rampa do Palácio do Planalto e no Parlatório idealizado por Oscar Niemeyer diante da Praça dos Três Poderes. Lula discursará com a faixa traspassada no dorso.</p>



<p>Se tivesse recebido algo entre 5,5 e 6 milhões de votos a mais em 2 de outubro – ou 1,47% dos votos válidos no primeiro turno – os tensos e eletrizantes dias de outubro teriam sido diferentes. Lula compreende que a ocorrência do segundo turno está nas regras do jogo. Porém, lamenta não ter tido um mês a mais para reduzir altercações e apaziguar espíritos enquanto costurava a colcha com a qual pretende fazer adormecerem divergências e antagonismos e reconciliar o País. Ele sabe aonde pendurar a conta dessa negação à paz: no “mercado financeiro”.</p>



<p><strong>QUEM É O MERCADO?</strong></p>



<p>Forjado em lutas sindicais, Lula aprendeu cedo a ler os interesses de todos os atores numa mesa de negociação. E Brasília nada mais é que uma extensa mesa negociações, com interesses múltiplos e encruzilhadas surgidas a partir da trajetória escolhida por quem conduz as conversas. Um presidente da República eleito com mais de 60 milhões de votos tem a primazia e a força política para conduzir essas prosas. Lula sabe qual o lugar de fala dele no cassino brasiliense, e não permitirá que derrotados egressos das bancas de investimentos e dos bancos tenham a ousadia de crer que o tutelam.</p>



<p>As análises usadas pelas instituições do mercado financeiro para justificar os caminhos que tomam ou os recados nada sutis que dão por meio de entrevistas ou notas passadas a veículos e colunas – tanto da mídia tradicional quanto a atores da mídia digital – são feitas por consultores remunerados pelas corporações financeiras. Em média, esses consultores têm entre 32 e 35 anos. Com raríssimas exceções, não assistiram sequer a forma como o Brasil reagiu à crise dos mercados internacionais em 2008.</p>



<p><mark style="background-color:#d8b2b2" class="has-inline-color has-vivid-red-color"><strong><em><u>Bolsa Memória</u></em></strong>: <em>Na época, quando o segundo mandato de Lula ia passar à metade derradeira, descobriu-se uma fabulosa fraude no mercado imobiliário dos Estados Unidos. Hipotecas eram renegociadas entre bancos, dívidas não encontravam lastro financeiro e grandes consultorias de auditoria financeiras compactuavam com as ilegalidades que geravam rombos financeiros em balanços de gigantes do Sistema Financeiro Internacional. Sob o comando de Lula, o Brasil trilhou caminho diverso do adotado pela maioria dos países ocidentais, apostou no Estado como indutor de desenvolvimento e a contração local só não foi maio do que a verificada na China.</em></mark></p>



<p>Inexperientes, ingênuos e ávidos por bonificações que lhes são passadas pelos financiadores que pagam para que escrevam o que desejam ouvir, os analistas de mercado são apenas correias de transmissão num circuito fechado de engrenagens movimentadas pelo poder e pelo dinheiro. Nos últimos anos, todas essas consultorias montaram escritórios em Brasília ou subcontrataram parceiros egressos de redações extintas ou de escritórios de consultoria de imagem e de comunicação. As empresas de consultoria fornecem os coletores de informações na ponta do processo e assessoram as instituições na outra ponta. Assim, quando “economistas-chefes” de bancos e de bancas falam em telejornais ou dão espaçosas entrevistas a jornais ou portais, eles o fazem para passar recados ao governo – ou, mas propriamente, ao futuro governo – fazendo eco a informações customizadas por demandas que lhes interessavam.</p>



<p>Lula conhece esse mecanismo, acha-o abjeto, não economizará esforços para expô-lo sem dizer diretamente que o expõe e já topou a queda de braço com ele: o “mercado financeiro” não indicará nem o ministro da Fazenda, nem o do Planejamento. Eles serão quem o presidente eleito escolher, em sintonia com o vice-presidente Geraldo Alckmin. Até aqui, a dupla Fernando Haddad na Fazenda e Pérsio Arida (carta nº 1) ou Armínio Fraga (carta nº2) no Planejamento é imbatível.</p>



<p>Não seria surpresa para esta coluna (Ave, Zózimo Barrozo do Amaral!) se, por razões políticas vinculadas à opção de não se fazer uma Proposta de Emenda Constitucional para prorrogar e legitimar o orçamento secreto, houver um roque no tabuleiro com a Fazenda indo parar não mãos de um político de raízes liberais e de centro, como Tasso Jereissati (que poderia levar Pérsio Arida e André Lara Resende para dentro do Ministério, em cargos como Secretaria de Política Econômica e Secretaria Geral), e Haddad ficando no Ministério Planejamento.</p>



<p><strong><em>SEM PEC: UMA POSSIBILIDADE REAL</em></strong></p>



<p>Ministros do Supremo Tribunal Federal disseram ao presidente eleito e ao vice, Geraldo Alckmin, que o instituto esdrúxulo e corrompido do orçamento secreto deverá ser julgado até o fim de março de 2023 no plenário da Corte. A tendência concreta é de decretação de inconstitucionalidade da jabuticaba legislativa pensada por Eduardo Cunha e operada por Arthur Lira. Não faz sentido – disseram a Lula os magistrados do STF e ao menos dois ex-integrantes do Supremo e três ex-presidentes das Mesas do Senado e da Câmara – apostar tudo numa emenda constitucional que só tem utilidade para ampliar o poder de fogo de Lira. Lula e Alckmin estão quase convencidos da tese, e um caminho sem “PEC da Transição” deve surgir nas próximas horas. O senador Tasso Jereissati, do PSDB-CE, em consórcio com o senador Jaques Wagner, do PT-BA, pode ser o condutor dessa nova saída dentro do Congresso.</p>



<p>A insistência com a qual o deputado José Guimarães (PT-CE) debate-se a favor da PEC, associando-a a uma declaração extemporânea de voto do PT (<em>e, por conseguinte, do PCdoB e do PV, federados desde a eleição e obrigados a caminharem juntos no legislativo até 2026</em>) a favor da reeleição de Lira na Câmara, fez soarem alarmes dentro do partido de Lula.</p>



<p>Guimarães sonha em suceder a Gleisi Hoffmann na presidência da sigla quando a deputada paranaense virar ministra – ela o será, e o estatuto do PT determina que ministros entreguem cargos de direção partidária. O deputado cearense não tem o apoio do senador eleito pelo Ceará Camilo Santana, ex-governador do estado, e também deve ser rebarbado pelo governador eleito Elmano Freitas. Lula já deixou claro que o combo completo da reeleição de Lira com José Guimarães presidindo seu partido é pesado demais para a legenda. Encontrar um caminho alternativo à PEC da Transição, enfraquecendo Lira e obrigando Guimarães a fazer política para dentro do partido e não de acordo com seus interesses pessoais, é uma das prioridades de Lula nesta semana brasiliense.</p>
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