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	<title>Arquivos ConJur - PLATAFORMA BRASÍLIA</title>
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		<title>Conversa entre procuradores da &#8220;lava jato&#8221; mostra uso estratégico de vazamentos</title>
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		<dc:creator><![CDATA[SÉRGIO RODAS]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 05 Feb 2021 19:21:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[ConJur]]></category>
		<category><![CDATA[Operação Lava Jato]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Conversa entre procuradores da força-tarefa da “lava jato” mostra como eles usavam vazamentos para aumentar a pressão contra investigados na operação. &#160;informação consta de uma troca de mensagens entre procuradores à qual a&#160;ConJur&#160;teve acesso. O diálogo faz parte do material apreendido pela Polícia Federal no curso da chamada operação &#8220;spoofing&#8221;, que mira hackers responsáveis por [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Conversa entre procuradores da força-tarefa da “lava jato” mostra como eles usavam vazamentos para aumentar a pressão contra investigados na operação.</p>



<p>&nbsp;informação consta de uma troca de mensagens entre procuradores à qual a&nbsp;<strong>ConJur</strong>&nbsp;teve acesso. O diálogo faz parte do material apreendido pela Polícia Federal no curso da chamada operação &#8220;spoofing&#8221;, que mira hackers responsáveis por invadir celulares de autoridades.</p>



<p>Em 5 de março de 2016, um dia após o ex-presidente Lula ter sido conduzido coercitivamente para depor na Polícia Federal por ordem do então juiz Sergio Moro, procuradores discutem em grupo de mensagens a redação de uma nota da força-tarefa da “lava jato” explicando que a medida era necessária, uma vez que o petista foi intimado, mas se recusou a comparecer a um posto da PF.</p>



<p>No debate, o chefe da força-tarefa, Deltan Dallagnol, sugere argumentar que, se a ordem não foi executada, Lula foi voluntariamente depor, e não houve condução coercitiva.</p>



<p>“Vcs sabem se a condução ontem foi executada ou se ele foi voluntariamente? Não consegui falar com Luciano [Flores, delegado da PF]. Se foi voluntariamente, não tem do que reclamar. Se não foi, ele mentiu que sempre está à disposição pra depor. Poderia fazer o raciocínio: se ele disse ontem que sempre se dispôs a depor, então sequer houve condução coercitiva&#8230; mas tenho receio de suscitar novas críticas quanto ao ambiente de coação. Acho vou colocar nas entrelinhas”, diz Dallagnol.</p>



<p>A&nbsp;<strong>ConJur</strong>&nbsp;manteve as abreviações e eventuais erros de digitação e ortografia presentes nas mensagens.</p>



<p>O procurador Andrey Borges de Mendonça desaprova a ideia. &#8220;Não gosto do raciocínio. 15:38:46 Acho que parece entender que ele [Lula] tinha opção. E ele não tinha. Cuidado.&#8221;</p>



<p>Deltan Dallagnol enviou rascunho da nota para análise de Vladimir Netto, repórter da&nbsp;<em>TV Globo&nbsp;</em>que, em junho de 2016, lançaria o livro&nbsp;<em>Lava Jato: o juiz Sergio Moro e os bastidores da operação que abalou o Brasil</em>&nbsp;(Primeira Pessoa). O jornalista diz a Dallagnol, segundo o relato deste, que não valeria a pena soltar uma nota, a não ser que fosse &#8220;para não deixar Moro sozinho&#8221;. &#8220;A nota é pra acalmar e não comprar briga&#8221; foi o conselho de Netto, conforme o procurador.&nbsp;</p>



<p>&#8220;Mas ele [Netto] acha que teria que ser muuuuito serena pq estamos mais expostos do que o Moro na avaliação dele&#8221;, conta Dallagnol. Mendonça apoia a intenção: &#8220;Por mim, soltamos pq não deixo amigo apanhando sozinho rs. Independentemente de resultado, soltaria por solidariedade ao Moro&#8221;.</p>



<p>Após chegarem a um acordo sobre a redação da nota e a enviarem à imprensa, o procurador Athayde Ribeiro Costa avisa os colegas que o&nbsp;<em>Jornal Nacional</em>, da&nbsp;<em>TV Globo</em>, noticiou o posicionamento da força-tarefa da &#8220;lava jato&#8221;.</p>



<p>O procurador Orlando Martello comenta que, se continuasse a escalada contra a operação, a solução seria vazar conversas interceptadas de Lula.</p>



<p>&#8220;Se a escalada continuar, a solução é soltar os áudios, cf sugerido por CF [Mendonça]. Aí jogamos problema no colo deles, com algumas maldades (pq lula usa cel de terceiros!; proximidade de lula e JW [Jaques Wagner, então ministro da Casa Civil], bem como JW responsável pela nomeação do novo ministro; convocação de deputados; movimentos sociais, etc.&#8221;</p>



<p>Em resposta, Mendonça diz o vazamento das gravações &#8220;é nossa carta na manga&#8221;. &#8220;Mas é preciso que seja com autorização judicial. E talvez haja problemas&#8221;, ressalta. O procurador Paulo Roberto Galvão de Carvalho então lembra que já haviam feito consultas sobre a liberação dos áudios, mas elas foram negadas.</p>



<p><strong>Divulgação de grampos</strong><br>Em 16 de março de 2016, Sergio Moro divulgou conversas telefônicas de Lula, recém-empossado ministro da Casa Civil, com a então presidente Dilma Rousseff e outros políticos.</p>



<p>Na semana seguinte, o ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavaski — que morreu em acidente aéreo em 2017 — afirmou que o fim do sigilo dos grampos foi ilegal e inconstitucional. Primeiro porque foi o resultado de uma decisão de primeiro grau a respeito de fatos envolvendo réus com prerrogativa de foro no Supremo. Depois porque, ao divulgar o conteúdo dos grampos, Moro violou o direito constitucional à garantia de sigilo dos envolvidos nas conversas.</p>



<p>No dia da divulgação dos áudios, os procuradores discutiram se o ato de Moro era legal ou não. Afinal, o diálogo entre Lula e Dilma foi captado após o juiz federal ter enviado comunicados às operadoras de telecomunicações pedindo a suspensão dos grampos. O procurador Januário Paulo classifica a medida como &#8220;filigrana&#8221;. &#8220;Quem decide o que vai para os autos e o juiz. Se ele podia interromper também pode mandar juntar aos autos e validar.&#8221;</p>



<p>Andrey Mendonça discorda. &#8220;Januario, desculpe, eu nao vejo assim. Isso esta longe de ser filigrama na minha visão. Se ele suspendeu a interc[eptação], juridicamente nada vale dps. Eu espero q vcs estejam certos, mas nao eh tao tranquilo assim.&#8221;</p>



<p>Deltan Dallagol então intervém: &#8220;Andrey No mundo jurídico concordo com Vc, é relevante. Mas a questão jurídica é filigrana dentro do contexto maior que é político&#8221;. &#8220;Concordo Deltan. Isso tera q ser enfrentado muito em breve no mundo juridico. O estrago porem esta feito. E mto bem feito&#8221;, responde Mendonça.</p>



<p>Dois dias depois, em 18 de março, o ministro do STF Gilmar Mendes cassou a nomeação de Lula como chefe da Casa Civil. No embalo da decisão, os procuradores discutem se é hora de pedir a prisão de Lula e apresentar denúncia contra ele. Para Roberson Pozzobon, não faz diferença se a captação da conversa foi ilegal ou não. Afinal, a própria Dilma tinha admitido o diálogo.</p>



<p>Publicado em <a href="https://www.conjur.com.br/2021-fev-05/conversa-entre-procuradores-mostra-uso-estrategico-vazamentos" target="_blank" rel="noreferrer noopener">conjur.com.br</a></p>
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