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	<title>EL PAÍS, Autor em PLATAFORMA BRASÍLIA</title>
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	<description>Informação, análise e entretenimento</description>
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	<title>EL PAÍS, Autor em PLATAFORMA BRASÍLIA</title>
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		<title>Os últimos dias sem lembranças de Gabriel García Márquez</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 20 May 2021 14:00:06 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Livros - Gabo y Mercedes]]></category>
		<category><![CDATA[z-capa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Rodrigo García publica ‘Gabo y Mercedes: Una Despedida’, um livro sobre a morte do pai, o prêmio Nobel de Literatura, e da mãe, Mercedes Barcha</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em><a href="https://brasil.elpais.com/autor/camila-osorio-avendano/">CAMILA OSORIO</a> &#8211; <a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-05-19/os-ultimos-dias-sem-lembrancas-de-gabriel-garcia-marquez.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">El País</a></em></strong></p>



<p>Quando&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/gabriel-garcia-marquez/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gabriel García Márquez</a>&nbsp;escrevia&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-01-01/assim-foi-feito-cem-anos-de-solidao.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Cem Anos de Solidão</em></a>, nos anos sessenta, disse que um dos momentos mais difíceis aconteceu no dia em que datilografou a morte do memorável coronel Aureliano Buendía. Gabo saiu de seu estúdio na casa onde morava na Cidade do México, procurou sua esposa Mercedes em um quarto e anunciou desconsolado: “Matei o coronel”. “Ela sabia o que isso significava para ele e permaneceram juntos em silêncio com a triste notícia”, lembra seu filho, Rodrigo García, sobre o luto que seus pais viveram. Agora é ele, Rodrigo, que digita seu próprio luto com um novo livro para se despedir dos pais:&nbsp;<em>Gabo y Mercedes: Una Despedida</em>.</p>



<p>Este doce adeus, publicado neste mês pela Random House na Colômbia e na Espanha [ainda sem edição no Brasil], é&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2020-12-12/cem-anos-de-solidao-na-netflix-em-espanhol-e-com-elenco-latino.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a nova homenagem&nbsp;</a>que Rodrigo, diretor de cinema, presta ao Nobel que morreu em 2014 e à mãe, Mercedes Barcha, que morreu em agosto do ano passado. “Meu pai reclamava que uma das coisas que mais odiava na morte era o fato de ser a única faceta de sua vida sobre a qual não poderia escrever”, anota Rodrigo, que mescla a narração dos últimos dias de seus pais com as mortes que Gabo escreveu. A de&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/simon-bolivar/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Simón Bolívar</a>, por exemplo, em&nbsp;<em>O General em seu Labirinto</em>&nbsp;(“viu pela janela o diamante de Vênus no céu que ia embora para sempre”), ou o dia em que Úrsula Iguarán, a matriarca de&nbsp;<em>Cem Anos de Solidão</em>&nbsp;que “amanheceu morta na Quinta-feira Santa”, como Gabo morreu na Quinta-feira Santa de 2014.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/UzHtCHy7V8JeoA3RweGy5y939jA=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/FIALPCSHMZEYDADQ6BJ6ESHNCY.jpg" alt="Mercedes Barcha Pardo e Gabriel García Márquez em 12 de outubro de 1982, a manhã em que foi anunciado o prêmio Nobel. "/><figcaption>Mercedes Barcha Pardo e Gabriel García Márquez em 12 de outubro de 1982, a manhã em que foi anunciado o prêmio Nobel.&nbsp;RODRIGO GARCÍA BARCHA / PENGUIN RANDOM HOUSE</figcaption></figure>



<p>“Não tive de pensar muito para me lembrar dessas passagens”, disse Rodrigo García em uma entrevista coletiva virtual para promover o lançamento do livro. “A obsessão com a perda e com a morte é uma obsessão muito comum dos escritores, quase faz pensar que faz parte do<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2013/12/26/album/1388057692_476032.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;DNA do escritor</a>: a obsessão com a perda e com que as coisas acabam, e como o propósito da vida enquadra a experiência da vida. Então me lembrava perfeitamente de todas essas mortes de seus personagens principais”.</p>



<p>Nos últimos anos, Rodrigo García (Bogotá, 61 anos) se comprometeu a transformar alguns livros de seu pai em grandes produções de cinema: é o produtor executivo de&nbsp;<em>Noticia de un Secuestro</em>&nbsp;(produzida pela Amazon Prime e atualmente em rodagem na Colômbia) e da versão que a Netflix prepara de&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/04/29/cultura/1430332920_868009.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Cem Anos de Solidão</em></a>&nbsp;(que ainda está em fase de pré-produção). Mas a família sempre foi muito cautelosa em não&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/10/21/cultura/1445451349_374595.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">revelar suas intimidades</a>, razão pela qual o livro de Rodrigo é uma pequena janela para a dor na casa de seus pais quando Gabo viveu seus últimos dias. “Não somos figuras públicas”, dizia-lhe a mãe, que cuidava que a intimidade do lar não aparecesse nos jornais. “Sei que não publicarei essas memórias enquanto ela puder lê-las”, admite agora o filho. Se seus pais pudessem lê-las agora, disse Rodrigo na coletiva de imprensa: “gostaria de pensar que eles ficariam felizes e orgulhosos, embora com certeza minha mãe me diria: ‘que fofoqueiros’”.</p>



<p>Gabo, no livro de Rodrigo, viveu durante seus últimos anos uma versão parecida com a&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/cultura/2021-04-22/a-lucidez-que-se-esgota.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">interpretada por Anthony Hopkins em&nbsp;<em>Meu Pai</em></a>: um homem ansioso porque começa a perder a memória e se sente perdido entre os familiares. “Por que essa mulher está aqui dando ordens e administrando a casa se não é nada minha?”, reclamava Gabo quando não reconhecia a esposa, Mercedes. “Quem são essas pessoas na sala ao lado?”, perguntava a uma empregada doméstica quando não reconhecia Rodrigo e Gonzalo, seus dois filhos. “Esta não é minha casa. Quero ir para casa. Para a do meu pai”, pedia o escritor quando queria voltar, não para a casa do pai, mas para a do avô, um coronel que cuidou dele até os oito anos e que inspirou a figura do coronel Aureliano Buendía.</p>



<p>Mas os últimos dias de Gabo são também aqueles em que ele volta ao mais doce de sua infância em Aracataca, a pequena cidade colombiana onde nasceu em 1927.&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/06/cultura/1520290870_404126.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gabo sabia recitar de cor poemas do Século de Ouro espanhol</a>, mas quando perdeu essa capacidade, “ainda podia cantar suas canções favoritas”.&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/04/22/cultura/1398183320_628906.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Gabo passou seus últimos dias ouvindo&nbsp;<em>vallenatos</em>, a música da costa colombiana com a qual cresceu</a>. “Mesmo nos últimos meses, sem se lembrar de nada, seus olhos se iluminavam de emoção com as notas de abertura de um clássico do acordeão”, escreve Rodrigo García. “Nos últimos dias, as enfermeiras começaram a tocar todos eles [os&nbsp;<em>vallenatos</em>] no volume máximo em seu quarto, com as janelas escancaradas”. As canções de Rafael Escalona inundaram a casa do México como canções de ninar para se despedir. “Elas me devolvem ao passado de sua vida como nada mais poderia fazer”, escreve o filho.</p>



<p>“<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2017/12/12/cultura/1513102189_486543.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A fase final [do meu pai] já foi mais fácil</a>”, esclarece na entrevista coletiva. “Há uma fase terrível em que a pessoa tem consciência de que está perdendo a memória, então, não só ver a pessoa sem suas faculdades, mas também muito ansiosa de perdê-las, é uma fase tremenda e muito difícil. A etapa final foi triste, mas mais tranquila. Nessa fase final ele estava calmo, não sofria de ansiedade, estava muito distraído, não se lembrava de muitas coisas, mas estava bem, estava tranquilo, e isso nos reconfortava”.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/30yncwF_5oxWGC9eTXNNxOaxdMA=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/5XDQS26DU5E53A2W6AKRSBESNQ.jpeg" alt="Mercedes Barcha Pardo e Gabriel García Márquez na Espanha, 1968. "/><figcaption>Mercedes Barcha Pardo e Gabriel García Márquez na Espanha, 1968.&nbsp;RODRIGO GARCÍA BARCHA / PENGUIN RANDOM HOUSE</figcaption></figure>



<p>Embora os últimos dias de Gabo sejam os que mais ocupam as páginas deste livro, o último capítulo é dedicado à morte de Mercedes, chamada “la Gaba”, apelido que Rodrigo García acertadamente chama de “patriarcal”. “Mas, apesar disso, todos que a conheciam sabiam que ela havia se tornado uma magnífica versão de si mesma”, escreve o filho. Rodrigo a descreve como “uma mulher de seu tempo”: sem estudos universitários, mãe, esposa, dona de casa. Mas ao mesmo tempo aquela que dirigiu o sucesso de seu pai e aquela que provocava inveja por “sua consciência de si mesma”. Em uma das melhores cenas do livro, Rodrigo e Gonzalo se contorcem em suas cadeiras quando um presidente mexicano (cujo nome eles não mencionam, mas com as datas é claro que se trata de&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/enrique-pena-nieto/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Enrique Peña Nieto</a>), se refere à família como “os filhos e a viúva”. Mercedes então “ameaça contar ao primeiro jornalista que cruzar que planeja se casar o mais rápido possível. Suas últimas palavras a esse respeito foram: ‘não sou viúva. Eu sou eu’”, escreve Rodrigo.</p>



<p>Mercedes Barcha morreu em 2020, no meio da pandemia, sem todas as&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/02/20/album/1392925858_969857.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">câmeras e seguidores que choraram a morte de Gabo</a>. Mas como o marido, ela teria exigido de seus filhos que, se fossem escrever sobre sua morte, o fizessem tão bem que deixassem todos os leitores em um luto profundo. Nos dias posteriores à morte dela, Rodrigo conta que esperava constantemente uma ligação dela. Uma ligação em que Mercedes perguntaria: “Então, como foi minha morte? Não, calma. Sente-se. Conte-o bem, sem pressa’”.</p>
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		<title>As acusações não reveladas de crimes sexuais contra o fundador das Casas Bahia, Samuel Klein</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 15 Apr 2021 20:31:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Reportagem - Exploração sexual]]></category>
		<category><![CDATA[z-capa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A Pública conta agora a história oculta do fundador da Casas Bahia, Samuel Klein — falecido em 2014. Conhecido como “o rei do varejo”, Klein teria usado seu poder como empresário bem-sucedido para manter durante décadas um esquema de aliciamento de crianças e adolescentes para a prática de exploração sexual dentro da icônica sede da empresa, em São Caetano do Sul, além de outros locais em Santos, São Vicente, Guarujá e Angra dos Reis. Mas a história desses crimes não envolve apenas o patriarca da família Klein. Seu filho Saul Klein é hoje investigado por aliciamento e estupro de mais de 30 mulheres. Segundo o relato de fontes e dezenas de mulheres entrevistadas, há semelhanças na forma de agir de pai e filho. Os detalhes você lê a seguir.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="https://brasil.elpais.com/autor/agencia-publica/">CIRO BARROS / CLARISSA LEVY / MARIAMA CORREIA / RUTE PINA / ANDREA DIP / THIAGO DOMENICI</a><a href="https://apublica.org/2021/04/as-acusacoes-nao-reveladas-de-crimes-sexuais-de-samuel-klein-fundador-da-casas-bahia/?utm_source=Parceiros&amp;utm_medium=republica%C3%A7%C3%A3o&amp;utm_campaign=CasoK" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> (AGÊNCIA PÚBLICA)</a></p>



<p>Uma história de&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/abusos-sexuales/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">violência sexual</a>&nbsp;na infância marcou para sempre a trajetória de Karina Lopes Carvalhal, hoje com 40 anos. Aos 9, ela soube pelas irmãs que um grande empresário de sua cidade natal, São Caetano do Sul (SP), dava dinheiro e presentes a crianças e adolescentes que fossem à sede da empresa na av. Conde Francisco Matarazzo, número 100. À época com 12 anos, a irmã mais velha de Karina avisou que poderia conseguir um tênis novo se fosse até lá. “Eu não tinha um tênis pra pôr, usava o das minhas irmãs, meus dedos eram todos tortos.”</p>



<h3 class="wp-block-heading">MAIS INFORMAÇÕES</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-08-15/estuprada-desde-os-6-gravida-aos-10-anos-e-num-limbo-inexplicavel-a-espera-por-um-aborto-legal.html?rel=listapoyo">Estuprada desde os 6, grávida aos 10 anos e num limbo inexplicável à espera por um aborto legal</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/esportes/2021-02-25/ex-tecnico-da-equipe-olimpica-de-ginastica-feminina-dos-estados-unidos-se-suicida-depois-de-ser-acusado-de-trafico-de-pessoas-e-agressao-sexual.html?rel=listapoyo">Ex-técnico da seleção feminina de ginástica dos EUA se mata após acusação de abusos e tráfico de pessoas</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-23/homens-e-meninos-tambem-sofrem-abuso-sexual-eles-estao-aprendendo-a-pedir-ajuda.html?rel=listapoyo">Homens e meninos também sofrem abuso sexual. Eles estão aprendendo a pedir ajuda</a></li></ul>



<p>Karina subiu até o andar da presidência e esperou até ser chamada ao escritório particular do dono. Ficou surpresa ao ver um senhor, já na casa dos 70 anos. “Minha irmã tinha me dito: ‘Ká, não se assuste porque ele vai te dar um beijinho’. Mas ele me cumprimentou e já passou a mão nos meus peitos. Ele dizia: ‘Ah, que moça bonita. Muito linda’”, relembra, imitando o sotaque polonês do empresário&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/20/economia/1416496771_114141.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Samuel Klein, fundador da Casas Bahia</a>, uma grande rede do varejo brasileiro. Ela saiu levando consigo uma quantia em dinheiro e um tênis da marca Bical. Era 1989.</p>



<p>“A gente ficava contente que tinha ganhado um tênis. Não tínhamos noção dessa situação de violência”, avalia Karina ao falar com exclusividade à&nbsp;<em>Agência Pública</em>. A possibilidade de conseguir outros bens materiais a fez voltar nas semanas seguintes. “A segunda vez, ele já me levou pro quartinho.” Ela conta que o empresário mantinha um quarto anexo ao seu escritório, onde havia uma cama hospitalar. Era ali, segundo ela, que ocorriam os abusos.</p>



<p>Karina não teria sido a única a ser aliciada e explorada sexualmente por Samuel Klein. A Pública ouviu mais de 35 fontes, entre mulheres que o acusam de crimes sexuais, advogados e ex-funcionários da Casas Bahia e da família.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/gXfLBqcg9TSJnbG6Vy5VKO_vNm8=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/5SDY263H6JAJZLXLV54AA3NIEA.jpeg" alt="Entre 1989 e 2010, Samuel Klein teria sustentado uma rotina de exploração sexual de meninas menores de 18 anos dentro da própria sede das Casas Bahia, em São Caetano do Sul. No detalhe, a rua em frente à sede das Casas Bahia foi rebatizada com o nome do empresário. (José Cícero da Silva/Agência Pública)"/><figcaption>Entre 1989 e 2010, Samuel Klein teria sustentado uma rotina de exploração sexual de meninas menores de 18 anos dentro da própria sede das Casas Bahia, em São Caetano do Sul. No detalhe, a rua em frente à sede das Casas Bahia foi rebatizada com o nome do empresário. (José Cícero da Silva/Agência Pública)</figcaption></figure>



<p>A reportagem, que pode ser lida&nbsp;<a href="https://apublica.org/2021/04/as-acusacoes-nao-reveladas-de-crimes-sexuais-de-samuel-klein-fundador-da-casas-bahia/?utm_source=Parceiros&amp;utm_medium=republica%C3%A7%C3%A3o&amp;utm_campaign=CasoK">na íntegra no site da Pública</a>, consultou também processos judiciais e inquéritos policiais e teve acesso a documentos, fotos, vídeos de festas com conotação sexual e declarações de próprio punho das denunciantes, além de gravações em áudio que indicam que, ao menos entre o início de 1989 e 2010, Samuel Klein teria sustentado uma rotina de exploração sexual de meninas entre 9 e 17 anos na própria sede da Casas Bahia, em São Caetano do Sul, e em imóveis de sua propriedade situados na Baixada Santista e no município de Angra dos Reis (RJ).</p>



<p>O empresário teria organizado um esquema de recrutamento e transporte de meninas, com uso de seus helicópteros particulares, até mesmo com a participação de funcionários na organização de festas e orgias, pagas com dinheiro e produtos de suas lojas. A partir das denúncias mais recentes envolvendo o filho do patriarca da família Klein, o&nbsp;<a href="https://odia.ig.com.br/colunas/fabia-oliveira/2020/12/6052064-vizinhos-famosos-de-herdeiro-das-casas-bahia-se-assustam-com-acusacao-de-estupro.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">empresário Saul Klein, investigado pelo Ministério Públic</a>o do Estado São Paulo (MP-SP) por aliciamento e estupro de dezenas de mulheres, a reportagem foi atrás do passado de Samuel e encontrou histórias semelhantes às práticas descritas pelo MP-SP na investigação sobre seu filho.</p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2014/11/20/economia/1416496771_114141.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Samuel Klein morreu em 2014</a>, deixando uma imagem quase heroica. Nascido na Polônia em 1923, perdeu a família em um campo de concentração. Emigrou para o Brasil na década de 1950, quando começou a vender produtos em uma charrete. Anos mais tarde, fundou a Casas Bahia, hoje parte do conglomerado Via Varejo, com faturamento médio anual de 30 bilhões de reais.</p>



<p><a href="https://apublica.org/2021/04/as-acusacoes-nao-reveladas-de-crimes-sexuais-de-samuel-klein-fundador-da-casas-bahia/?utm_source=Parceiros&amp;utm_medium=republica%C3%A7%C3%A3o&amp;utm_campaign=CasoK">Leia a reportagem na íntegra no site da Agência Pública</a></p>



<p>Mas&nbsp;<a href="https://epocanegocios.globo.com/Inspiracao/Empresa/noticia/2014/11/rei-do-varejo-samuel-klein-descobriu-classe-c.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">“o rei do varejo”, como ficou conhecido</a>, foi acusado por diversas mulheres de praticar abusos sexuais e de exploração de crianças e adolescentes. Um desses casos é o de Renata*, que afirma, em processo ao qual a&nbsp;<em>Pública</em>&nbsp;teve acesso, ter sido estuprada pelo empresário quando tinha 16 anos. Renata contou à polícia que em outubro de 2008 foi à casa de praia do empresário em Angra dos Reis. “Ele me pegou a força, rasgou minha roupa e me violentou. Não adiantava gritar”, diz um trecho do depoimento. Na época, Samuel Klein reconheceu, em depoimento à Polícia Civil de São Paulo, que Renata e sua colega estiveram na casa dele em Angra dos Reis, mas disse que as moças não eram “menores de idade”. Renata não quis dar entrevista. A&nbsp;<em>Pública</em>&nbsp;buscou, ao longo dos últimos meses, contato com 26 mulheres que moveram processos judiciais, além de outras que não o processaram. Dez mulheres concederam entrevistas, a maioria pediu para não revelar a identidade por medo de retaliação. Três entrevistadas, porém, concordaram em ter seu nome divulgados.</p>



<h2 class="wp-block-heading">Nos relatos, abusos na sede da empresa</h2>



<p>Segundo os relatos, após um primeiro contato, que frequentemente&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/abusos-sexuales/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">já incluía abusos sexuais</a>, mulheres e meninas eram selecionadas para participar de festas do empresário nas suas propriedades, como os apartamentos em São Paulo, no edifício Universo Palace, em Santos (SP), na Ilha Porchat, em São Vicente (SP), uma casa em frente à praia da Enseada, em Guarujá (SP), além da mansão no Condomínio Porto Bracuhy, em Angra dos Reis.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/4TgII3h35CR87MLsWxJKDFn4oO4=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/MLIJDISGNBANNA7RIGSX2RIZOE.jpg" alt=""/></figure>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/kMlWnmd9mBkHz9vAt2K56GVlvUM=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/ZB5NBMU4EVAOBG7HSVKJBS7FG4.jpg" alt="Segundo os relatos, os abusos sexuais ocorreram em imóveis de Klein no edifício Universo Palace, em Santos, na Ilha Porchat, em São Vicente, no Guarujá, São Paulo e em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. (Foto: José Cícero da Silva/Agência Pública)"/><figcaption>Segundo os relatos, os abusos sexuais ocorreram em imóveis de Klein no edifício Universo Palace, em Santos, na Ilha Porchat, em São Vicente, no Guarujá, São Paulo e em Angra dos Reis, Rio de Janeiro. (Foto: José Cícero da Silva/Agência Pública)</figcaption></figure>



<p>As adolescentes geralmente eram aliciadas em bairros de baixa renda do entorno de suas propriedades e também vinham de vários Estados. Uma das mulheres contou que, ainda adolescente, viajou várias vezes para a mansão e disponibilizou à&nbsp;<em>Pública</em>&nbsp;fotos das viagens. Ela aparece abraçada ao empresário em frente ao helicóptero Agusta A09 Power, pousado em Angra, em 1999. Segundo o registro da&nbsp;<a href="https://www.gov.br/anac/pt-br" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Agência Nacional de Aviação Civil (Anac)</a>, o helicóptero fotografado havia sido registrado em nome da Casas Bahia em 1998.</p>



<p>Cláudia* tinha 20 anos quando participou pela primeira vez de um jantar com Samuel na sede da Casas Bahia, em São Caetano do Sul, em 2008. “Disseram que eu ia jantar e fazer companhia, carinho nele”, conta. Assim como outras vítimas relataram, o encontro teria ocorrido no andar da presidência da loja, e ela contou que foi orientada a dizer que tinha 17 anos para atender “o estilo de Samuel, que gostava mais de menininha”. “Ele gostava de meninas com o corpo menos evoluído, que era meu caso.”</p>



<h2 class="wp-block-heading">Testemunhas do suposto esquema</h2>



<p><a href="https://www.casasbahia.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Funcionários da Casas Bahia</a>&nbsp;confirmaram os frequentes pagamentos em dinheiro e produtos às chamadas “samuquetes”, como eram apelidadas as “meninas do Samuel” — depoimentos confirmando a situação constam, inclusive, em condenações na Justiça do Trabalho. Josilene*, que foi gerente numa loja da Casas Bahia na Vila Diva, zona leste de São Paulo, entre 2005 e 2008, contou que tanto Samuel&nbsp;<a href="https://www.uol.com.br/universa/noticias/redacao/2021/03/10/caso-saul-klein-mulheres-relatam-ofertas-financeiras-para-mudarem-de-lado.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">quanto Saul Klein usavam&nbsp;</a>o caixa das lojas como parte dos pagamentos dessas meninas e mulheres. Segundo ela, “as meninas tinham direito de escolher o que elas queriam na loja. Na época, como era menina nova, pegava muito celular, som, televisão”.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/MLz1PaBavHdvH52kYPAee6OInjc=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/YE7HHF4QQFFCVJZ2OFIXLKIR3Q.jpeg" alt="Ilustração: Jorge Berlin/Agência Pública"/><figcaption>Ilustração: Jorge Berlin/Agência Pública</figcaption></figure>



<p>Em 2010, a Casas Bahia foi condenada em diversas ações trabalhistas. Em sete delas, os funcionários alegaram danos morais em razão de situações vexatórias vividas no trabalho. Eles descrevem que frequentemente tinham que pagar mulheres que apareciam nas lojas cobrando dinheiro e mercadoria e que, geralmente, traziam bilhetes com a letra de Samuel ordenando pagamentos. “Parece que ele vivia para isso. Ele recebia meninas várias vezes por semana, o mês inteiro”, conta um segurança que trabalhou para a família Klein por 19 anos.</p>



<p>Os relatos das mulheres e de alguns ex-funcionários apontam para Lúcia Amélia Inácio, secretária pessoal que trabalhava na sede da Casas Bahia, como uma das principais organizadoras do suposto esquema. Lúcia é citada na biografia autorizada do empresário, escrita por Elias Awad, como “fiel enfermeira e responsável pelo departamento de benefícios” da Casas Bahia. No relato das entrevistadas e de ex-funcionários, Lúcia é apontada como a responsável por convidar as meninas escolhidas por Samuel para as viagens, fazer pagamentos e doações de cestas básicas a mulheres e familiares e até participar de algumas das festas promovidas nos imóveis de Samuel. Depois de várias tentativas, a reportagem não conseguiu contato com Lúcia.</p>



<p>Os depoimentos de ao menos seis mulheres mencionam também Káthia Lemos como uma “aliciadora de meninas” do empresário. Ela aparece em fotos no iate e na piscina da casa de Samuel em Angra dos Reis e em um vídeo de uma festa de aniversário do empresário, que ocorreu em 11 de novembro de 1994 em uma casa em Guarujá. “Eu só posso agradecer especialmente a vocês três [indicando Káthia e outros dois seguranças] por fazer essa festa maravilhosa para 150 amigas minhas”, discursa Samuel na gravação.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/vaLe0YYSM2Y9RzOcEwSiHWBjixA=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/JVP7W7G3UVEG5NNZTMMTBU53XE.jpg" alt="Segundo os relatos, os abusos sexuais ocorreram em imóveis de Klein no edifício Universo Palace, em Santos, na Ilha Porchat, em São Vicente, no Guarujá, São Paulo e em Angra dos Reis, Rio de Janeiro (Foto: José Cícero da Silva/Agência Pública)"/><figcaption>Segundo os relatos, os abusos sexuais ocorreram em imóveis de Klein no edifício Universo Palace, em Santos, na Ilha Porchat, em São Vicente, no Guarujá, São Paulo e em Angra dos Reis, Rio de Janeiro (Foto: José Cícero da Silva/Agência Pública)</figcaption></figure>



<p>Em conversa com a reportagem, Káthia negou que fizesse agenciamento de mulheres e meninas. Ela disse conhecer “mais de 100 mulheres, de vários estados brasileiros, que frequentavam os encontros” com o empresário, mas nega que houvesse menores de idade. “Algumas mentiam a idade dizendo ter 18 anos para agradá-lo. Era a fantasia dele.” As entrevistas sugerem que Samuel aproveitava a situação vulnerável de famílias empobrecidas e se colocava como “benfeitor”, criando uma lógica que, ao misturar abusos e recompensas financeiras, prendia as vítimas ao esquema criminoso.</p>



<p>Itamar Gonçalves, gerente da<a href="https://www.childhood.org.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Childhood,</em>&nbsp;organização que atua na proteção</a>&nbsp;à infância e à adolescência, explica que meninas exploradas sexualmente podem acabar introduzindo outras nos esquemas criminosos. “São estimuladas a trazerem a irmã, parentes, amigas e amigos para aumentar os ganhos”, explica. Nesses casos, as vítimas não podem ser responsabilizadas. “O papel do aliciador é do adulto que está se aproveitando da situação. Infelizmente, porque temos uma&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/violencia-genero/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Justiça machista,</a>&nbsp;a atuação de um adulto que se beneficia e/ou articula esse tipo de situação é muitas vezes normalizada.”</p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/noticias/pobreza/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A pobreza e a vulnerabilidade social</a>&nbsp;são os principais fatores que levam crianças e adolescentes para esquemas de exploração sexual, segundo a socióloga Graça Gadelha, especialista em direitos infantojuvenis. “Existem ainda questões culturais, de contextos sociofamiliares, de situações de abandono — inclusive por parte de políticas públicas. São vários aspectos que confluem para a entrada precoce de meninos e meninas em situações de violência sexual”, analisa. Discursos morais, preconceitos, machismo e falta de acolhimento silenciam vítimas de violência sexual, que muitas vezes são culpabilizadas enquanto seus agressores seguem impunes, diz Graça.</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/sEsy7XThBGGMUAdymdhpWmV4hf0=/414x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/QC5NJJSCMFBQZFTBRCPCL5I37I.jpg" alt="O empresário polonês naturalizado brasileiro Samuel Klein posa para fotos em seu escritório em fevereiro de 1996."/><figcaption>O empresário polonês naturalizado brasileiro Samuel Klein posa para fotos em seu escritório em fevereiro de 1996.CLÓVIS CRANCHI SOBRINHO / ESTADÃO CONTEÚDO</figcaption></figure>



<h2 class="wp-block-heading">Processos não avançam</h2>



<p>Na Justiça, nenhum procedimento para a&nbsp;<a href="https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2020/12/30/fundador-das-casas-bahia-usava-caixa-da-rede-para-eventos-com-garotas.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">responsabilização de Samuel Klein prosperou</a>. Jorge Alexandre Calazans, advogado que representou quatro vítimas, conta que estabeleceu acordos entre os advogados do empresário e as mulheres que o procuraram. “O acordo foi feito rapidamente, elas receberam o dinheiro e extinguiram o processo de indenização que tinham aberto”, relata.</p>



<p>Outro advogado ouvido pela reportagem afirmou ter fechado um acordo judicial, com pacto de confidencialidade, com seis mulheres que alegaram abusos de Klein, todas menores de idade na época dos fatos. Já o escritório&nbsp;<a href="http://www.aquino.adv.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Aquino Ribeiro Advogados &amp; Associados</a>, localizado em Santos, representou seis casos de mulheres que teriam sido abusadas sexualmente por Klein no final da década de 1990. Os advogados do escritório receberam as denúncias apenas em 2011. Cinco dos seis casos levados à Justiça pelo escritório tiveram a prescrição reconhecida porque, naquele momento, o prazo prescricional de 20 anos começava a correr a partir da maioridade da vítima. Mas, como o empresário tinha mais de 70 anos quando as mulheres foram em busca de reparação, o tempo para viabilizar o processo caiu pela metade, dez anos.</p>



<p>“Na cabeça da vítima, ela ainda fica pensando que ela pode ser culpada. Ela leva um tempo achando que a agressão, que o que ela passou, é culpa dela. Era isso que a gente queria: que ao menos tivesse uma perícia, um psicólogo ou psiquiatra que pudesse aferir por quais motivos elas não entraram na época com ação”, argumenta o advogado Antônio Sérgio de Aquino, que representa essas mulheres. Desses casos, apenas um ainda corre na Justiça, que aguarda análise dos recursos pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).</p>



<p>Além de fotos das adolescentes nas propriedades de Klein e relatos de próprio punho das mulheres, os advogados instruíram os processos com base em um inquérito policial aberto contra Samuel Klein em 2006 — o que mais avançou em termos investigatórios. A análise do inquérito traz a história de Bianca*, que relatou ter sido vítima de abusos sexuais e estupros cometidos por Samuel Klein quando tinha 13 anos, em 2001. O caso foi denunciado por ela em abril de 2006 ao&nbsp;<a href="https://www.tjpb.jus.br/noticia/infancia-e-juventude-conselheiros-tutelares-de-campina-grande-sao-capacitados-sobre" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Conselho Tutelar de Campina Grande (PB),</a>&nbsp;onde passou a morar com sua mãe.</p>



<p>Em uma carta escrita de próprio punho, ela relata que o empresário tentava “acariciar” e “forçar de forma horrorizante”. “Estou aqui para denunciá-lo para que isso não venha acontecer com as demais jovens, que passaram e estão passando por isso e não tem coragem de fazer a denúncia, por medo e por constrangimento, igual eu tive”, escreveu.</p>



<p>Em 2011, o juiz Valdir Ricardo, da 1ª Vara de Justiça de Guarujá, julgou extinta a punibilidade de Samuel Klein no caso de Bianca e determinou o arquivamento do inquérito contra o empresário. No caso, há o registro de uma tática recorrente da defesa de Klein: evitar a intimação, até o esgotamento do prazo, para as oitivas, que é o momento em que o ofendido pode ser ouvido no curso do inquérito. A mesma estratégia foi observada no processo de Francielle Wolff Reis. Aos 14 anos, em 2008, ela foi convidada por uma conhecida para visitar o fundador da Casas Bahia. Conforme o relato, o empresário prometeu dinheiro se ela praticasse sexo com ele, à época com 85 anos.</p>



<p>Por um ano e meio, a menina teria frequentado o escritório de Samuel de duas a três vezes por semana. Em 2013, ela entrou com uma ação de indenização por danos morais contra Samuel. O processo de Francielle patinou por anos e o empresário faleceu sem ao menos ter sido citado pela Justiça. Em 2017, três anos após a morte do “rei do varejo”, uma oficial de justiça conseguiu enfim citar o herdeiro de Samuel, o filho mais velho, Michael Klein. A ação ainda tramita na Justiça. Em fevereiro de 2021, a juíza do caso negou a indenização pedida por Francielle. Ela acatou os argumentos da defesa, de que Klein estava acamado desde 2006, estando impossibilitado de praticar os abusos denunciados.</p>



<p>Em março, os advogados de Francielle recorreram. O processo está em vias de ser analisado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Samuel Klein foi investigado também em um inquérito aberto em outubro de 2008<a href="https://www.santos.sp.gov.br/?q=noticia/delegacia-de-defesa-da-mulher-de-santos-agora-atende-24-horas" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;na Delegacia de Defesa da Mulher,</a>&nbsp;em Santos. O caso virou uma ação penal que tramitou na 1ª Vara Criminal da cidade, e Samuel foi investigado por crimes previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente. O caso foi arquivado devido à morte do empresário, seis anos mais tarde.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Outro lado</h3>



<p>A reportagem procurou Lúcia Amélia Inácio, apontada como secretária pessoal de Klein na Casas Bahia, que teria sido responsável pelo aliciamento e pagamento de meninas — segundo as denúncias. Buscamos contato em quatro telefones diferentes, na portaria de sua residência e notificando o interesse em ouvi-la. Até a publicação desta reportagem, não recebemos nenhum retorno.</p>



<p><a href="https://suscripciones.elpais.com/para-conhecer/"><em><strong>Apoie nosso jornalismo. Assine o EL PAÍS clicando aqui</strong></em></a></p>



<p>Também foi procurado o escritório&nbsp;<a href="http://www.fariaadv.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Faria Advogados e Consultores de Empresas</a>, que já representou Samuel Klein quando ele era vivo e no espólio do patriarca, em processos de indenização por danos morais contra o empresário. Por telefone, um dos sócios, João da Costa Faria, afirmou que “não quer falar sobre esses assuntos” e que não representa mais Samuel. Em relação ao processo movido por Francielle Wolff Reis, que alega ter sofrido abusos sexuais do empresário quando tinha entre 14 e 15 anos, Faria declarou que “se trata de uma estelionatária, alguém que não tem o que fazer e está desrespeitando a memória do Samuel”. Foram enviadas por e-mail perguntas ao escritório, e a reportagem permaneceu por sete dias à disposição para receber as respostas. Até a publicação, não houve outras manifestações.</p>



<p><a href="https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,michael-klein-desiste-de-investir-no-setor-de-aviacao-apos-crise-da-covid,70003641207" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Michael Klein, filho e braço-direito de Samuel Klein&nbsp;</a>na gestão da Casas Bahia até 2010 e acionista majoritário da Via Varejo, também foi procurado. Por meio de sua assessoria, informou que não se manifestará sobre as perguntas da reportagem.</p>



<p>A Via Varejo, empresa que controla a marca Casas Bahia, respondeu em nota reproduzida integralmente abaixo.</p>



<p>“Esclarecemos que a família Klein nunca exerceu qualquer papel de controle na Via Varejo, holding constituída em 2011 para gerir as marcas Casas Bahia, Pontofrio,&nbsp;<a href="http://extra.com.br/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Extra.com.br</a>&nbsp;e Bartira. A holding, que até agosto de 2019 fazia parte do Grupo Pão de Açúcar, é hoje uma corporação independente, sem bloco controlador, como pode&nbsp;<a href="https://ri.viavarejo.com.br/governanca-corporativa/estrutura-societaria/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ser conferido no link</a>. Dessa forma, não comentamos sobre casos que possam ter ocorrido em período anterior ao da atual gestão da empresa.</p>



<p>A&nbsp;<a href="https://viavarejo.gupy.io/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Via Varejo</a>&nbsp;é muito clara em seus valores e princípios de conduta. Repudiamos veementemente todo e qualquer tipo de assédio, práticas ilegais e atos discriminatórios em nossas dependências, incluindo nossa sede administrativa e nossas lojas. Nosso código de ética e conduta, distribuído para todos os nossos colaboradores, é o guia que regula todas as ações da empresa, sendo sua aplicação acompanhada por auditorias independentes.</p>



<p>Somos ainda signatários de diversos acordos e compromissos que oferecem parâmetros institucionais para nossas estratégias de responsabilidade corporativa, como, por exemplo: Princípios de Empoderamento das Mulheres, elaborado pela ONU Mulheres; Coalizão Empresarial de Luta pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas, liderado pela Avon, ONU Mulheres e Fundação Dom Cabral; Coalizão Empresarial para Equidade Racial e de Gênero, liderado pelo Instituto Ethos, Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (CEERT) e Institute for Human Rights and Business (IHRB), com apoio do Movimento Mulher 360 e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).”</p>



<p><a href="https://apublica.org/2021/04/as-acusacoes-nao-reveladas-de-crimes-sexuais-de-samuel-klein-fundador-da-casas-bahia/?utm_source=Parceiros&amp;utm_medium=republica%C3%A7%C3%A3o&amp;utm_campaign=CasoK">Reportagem publicada originalmente na Agência Pública</a></p>
<p>O post <a href="https://plataformabrasilia.com.br/noticias/as-acusacoes-nao-reveladas-de-crimes-sexuais-contra-o-fundador-das-casas-bahia-samuel-klein/">As acusações não reveladas de crimes sexuais contra o fundador das Casas Bahia, Samuel Klein</a> apareceu primeiro em <a href="https://plataformabrasilia.com.br">PLATAFORMA BRASÍLIA</a>.</p>
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		<title>Miguel Nicolelis: “Estamos a poucas semanas de um ponto de não retorno na crise da covid-19”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 01 Apr 2021 14:20:50 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Pandemia e caos brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Coluna do neurocientista estreia em áudio no EL PAÍS, em um episódio piloto. ‘Diário do front’ narra os desafios do país no auge da pandemia, com novo recorde de mortes nesta quarta. Ouça para saber o que vem pela frente</p>
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<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe title="Diário do front, por Miguel Nicolelis" width="800" height="450" src="https://www.youtube.com/embed/X1_twJ8SIf0?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture" allowfullscreen></iframe>
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<p><a href="https://brasil.elpais.com/autor/el-pais/">EL PAÍS</a><a href="http://twitter.com/el_pais" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a><a href="https://brasil.elpais.com/acervo/2021-03-31/">31 MAR 2021 &#8211; 17:48&nbsp;<abbr title=" Brasilia Standard Time">BRT</abbr></a></p>



<p>O EL PAÍS estreia&nbsp;<em>Diário do front</em>,<a href="https://brasil.elpais.com/autor/miguel-angelo-laporta-nicolelis/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;a coluna do neurocientista Miguel Nicolelis</a>&nbsp;sobre a maior crise sanitária que o Brasil já enfrentou, agora em áudio. Clique no vídeo acima para ouvir o episódio piloto, onde Nicolelis alerta que o país está prestes a chegar a um ponto de não retorno na pandemia. “<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-04/miguel-nicolelis-brasil-pode-cruzar-a-marca-de-3000-obitos-diarios-por-covid-19-nas-proximas-semanas.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Estamos a poucas semanas de um ponto de não retorno na crise</a>&nbsp;do coronavírus no Brasil”, afirma ele, que projeta marcas de mais de 4.000 e até 5.000 mortes diárias em breve e um total de 500.000 vítimas em julho. Nesta quarta-feira (31), Brasil bateu um novo recorde, com 3.869 mortes.</p>



<p>O neurocientista e professor catedrático da universidade Duke (EUA) está especialmente preocupado&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2020-04-02/coronavirus-sobrecarrega-equador-e-preocupa-populacao-com-acumulo-de-cadaveres-em-casas.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">com a possibilidade um um colapso funerário no país</a>, caso o chamado a um&nbsp;<em>lockdown</em>&nbsp;nacional, com bloqueios de circulação não essencial em aeroportos e estradas, não seja atendido. “Se o colapso funerário se instalar neste país, começaremos a ver corpos sendo abandonados pelas ruas, em espaços abertos. Teremos que usar o recurso terrível de usar valas comuns para enterrar centenas de pessoas simultaneamente, sem urnas funerárias, só em saco plásticos, o que vai acelerar o processo de contaminação do solo, do lençol freático, dos alimentos, e com isso gerar uma série de outras epidemias bacterianas gravíssimas”, enumera.</p>



<p>O acesso à coluna em áudio de Nicolelis, com produção e trilha sonora de Cacau Guarnieri, é grátis, assim como as demais informações sobre o novo coronavírus no EL PAÍS. Compartilhe com seus amigos e familiares. Prefere o YouTube?&nbsp;<a href="https://www.youtube.com/watch?v=X1_twJ8SIf0" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Veja aqui o link</a>.&nbsp;<a href="https://www.instagram.com/tv/CNGY_TbnfAr/?igshid=jjgjke6gp0l4" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Também disponível no Instagram</a>&nbsp;e em breve nas plataformas digitais de áudio.</p>



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		<title>Centrão usa crise na saúde e rejeição a Bolsonaro para elevar seu preço e pedir cinco ministérios ao Planalto</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 18 Mar 2021 13:58:07 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Pandemia e caos brasileiro]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Grupo tem processo de impeachment e uma CPI como instrumentos de pressão. Presidente tem sua gestão na pandemia reprovada por 54% das pessoas</p>
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<p><a href="https://brasil.elpais.com/autor/afonso-benites/">AFONSO BENITES</a>Brasília&nbsp;&#8211;&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/acervo/2021-03-17/">17 MAR 2021 &#8211; 20:26</a></p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/o-pior-da-epidemia-no-brasil-visto-de-uma-uti-sem-leitos-disponiveis.html?rel=listapoyo">O pior da pandemia no Brasil visto de uma UTI sem leitos disponíveis</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/brasil-beira-3000-mortes-diarias-por-covid-19-enquanto-troca-na-saude-frustra-expectativas-por-mudancas-no-combate-a-pandemia.html?rel=listapoyo">Brasil beira 3.000 mortes diárias por covid-19 enquanto troca na Saúde frustra expectativas por mudanças no combate à pandemia</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/com-novo-recorde-de-casos-de-covid-19-e-restricao-no-comercio-doria-reduz-imposto-de-empresas.html?rel=listapoyo">Com novo recorde de casos de covid-19 e restrição no comércio em SP, Doria reduz imposto de empresas</a></li></ul>



<p>A&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/brasil-beira-3000-mortes-diarias-por-covid-19-enquanto-troca-na-saude-frustra-expectativas-por-mudancas-no-combate-a-pandemia.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dramática crise da saúde</a>&nbsp;aliada ao aumento da impopularidade do&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-15/alguem-acha-que-se-bolsonaro-perder-as-eleicoes-contra-lula-ira-passar-a-faixa-pacificamente.html">presidente Jair Bolsonaro</a>&nbsp;tem assanhado a fome do Centrão por novos ministérios. Nesta quarta-feira, pesquisa Datafolha mostrou que 40% dos entrevistados acreditam que ele faz um&nbsp;<a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/01/crise-derruba-popularidade-de-bolsonaro-aponta-datafolha.shtml">Governo ruim ou péssimo</a>, sua&nbsp;<a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/03/datafolha-rejeicao-a-bolsonaro-na-gestao-da-pandemia-bate-recorde-e-vai-a-54.shtml">gestão da pandemia</a>&nbsp;de covid-19 é reprovada por 54% das pessoas e 56% acreditam que ele&nbsp;<a href="https://www1.folha.uol.com.br/poder/2021/03/datafolha-56-dizem-que-bolsonaro-nao-tem-condicao-de-liderar-o-pais.shtml">não tem condições</a>&nbsp;de liderar o país. Antes mesmo de ter esses números em mãos,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-11/lula-acena-ao-centro-e-quer-colocar-o-pt-na-rua-mas-pandemia-impede-o-clima-de-caravana.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mas calculando também o impacto da reentrada em cena do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva</a>, o grupo fisiológico de legendas de centro-direita já tinha aumentado o seu preço pelo apoio ao Planalto. Agora, quer a indicação para ao menos cinco pastas:&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/casa-civil-presidencia-republica/">Casa Civil</a>, Secretaria de Governo, Minas e Energia, Relações Exteriores e Educação. É um avanço claro sob dois campos que são os alicerces do bolsonarismo, o militar e o ideológico. Os três primeiros ministérios são comandados por membros das Forças Armadas. Os outros dois tiveram indicações de sua base ideológica.</p>



<p>É uma aposta alta. Os cargos dos ministros-generais Walter Braga Netto (Casa Civil) e Luiz Eduardo Ramos (Governo) dificilmente serão trocados. Mas o grupo aposta na velha negociação política, pede mais do que tem chances de ganhar para depois dizer que abriu mão de algo. Além disso, os parlamentares do Centrão querem aproveitar a chegada do novo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para indicar substitutos para funções estratégicas de&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-25/nem-o-pior-ministro-da-saude-fez-o-que-exercito-esta-fazendo-desmontando-a-engrenagem-do-sus.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">segundo e terceiro escalões que hoje são ocupadas por militares na pasta</a>. Há ao menos 15 cargos em comissão que os deputados negociam. As informações são de três lideranças do Centrão entrevistadas pelo EL PAÍS entre terça e quarta-feira.</p>



<p>A gota d’água para os membros da base parlamentar de Bolsonaro foi a não&nbsp;<a href="https://elpais.com/Comentario/1615830061-3e451a575b75f07572944d32409d32d6">nomeação da médica Ludmilla Hajjar</a>&nbsp;para a Saúde. Eles entendiam que a posse dela no cargo era uma sinalização de mudança de fato no ministério. E não uma só de nome, como ocorreu com a&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/brasil-beira-3000-mortes-diarias-por-covid-19-enquanto-troca-na-saude-frustra-expectativas-por-mudancas-no-combate-a-pandemia.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">chegada do médico Marcelo Queiroga</a>&nbsp;em substituição ao general Eduardo Pazuello, com o discurso de continuidade dos trabalhos.</p>



<p>No Centrão, o principal padrinho de Hajjar era o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), o mesmo político que viu o Planalto&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-29/quatro-ministerios-e-bilhoes-de-reais-em-emendas-a-receita-de-bolsonaro-para-vencer-no-congresso-de-bracos-dados-com-o-centrao.html">prometer quatro ministérios</a>&nbsp;para ajudar em sua eleição em fevereiro passado. Apenas uma pasta foi entregue, a da Cidadania para o deputado João Roma (Republicanos-BA), o que na atual situação aumentou o interesse do grupo por cargos. O ministro Fábio Faria (PSD-RN) também é outro membro do Centrão no Governo Bolsonaro, mas a sua indicação teve mais caráter pessoal do que um apadrinhamento de seu partido.</p>



<p>Dois instrumentos de pressão devem ser usados pelos parlamentares na tentativa de ampliar os seus tentáculos na gestão: o início de um processo de impeachment contra Bolsonaro e a abertura de uma&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-16/um-ministerio-da-saude-encurralado-amplia-tensao-nos-bastidores-e-tecnicos-criticam-falta-de-planejamento.html">Comissão Parlamentar de Inquérito</a>&nbsp;para apurar a gestão da pandemia de coronavírus. O primeiro caso depende principalmente de Lira. Até o mês passado, ele sempre negava que acataria um dos 60 pedidos de impeachment contra o presidente.</p>



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<p>Uma tímida mudança de postura de Lira ocorreu na segunda-feira, quando já se sabia que Hajjar não seria ministra. Ao invés de negar que abriria um processo de impeachment, ele afirmou que&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/noticias-sobre-a-pandemia-de-covid-19-e-a-crise-politica-no-brasil-ao-vivo.html">não teve tempo</a>&nbsp;para analisar os processos. Lira ocupa o cargo desde 2 de fevereiro. “Não tive ainda tempo. Tempo que o presidente anterior [Rodrigo Maia] teve. Ele teve quase cinco anos de mandato, recebeu 60 pedidos e não achou nenhum tipo de motivação maior para seguir em frente.” A afirmação foi feita em debate promovido pelos jornais&nbsp;<em>O Globo</em>&nbsp;e&nbsp;<em>Valor Econômico</em>.</p>



<p>O que pesa contra uma destituição presidencial é o tempo, o calendário eleitoral e a ausência de sessões presenciais no Congresso por causa da pandemia de covid-19, que impede aglomerações, principalmente em ambientes fechados. No&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/proceso-destitucion-dilma-rousseff/">caso de Dilma Rousseff</a>&nbsp;(PT), foram quase nove meses entre o momento em que o processo foi aceito por Eduardo Cunha (MDB-RJ) e quando o Senado votou pelo seu impeachment. E em 2022 os próprios deputados e senadores estarão empenhados nas campanhas eleitorais em que vários deles concorrerão à reeleição.</p>



<p>Já no Senado, o presidente Rodrigo Pacheco (DEM-MG), que tem relativa proximidade com Lira, tem se equilibrado entre rejeitar a abertura da CPI da Covid e aceitá-la. O documento pedindo a abertura do trabalho já foi assinado por 31 senadores, quatro a mais que o mínimo necessário. Antes, Pacheco dizia que seria contraproducente iniciar essa investigação neste momento.&nbsp;<a href="https://elpais.com/Comentario/1615832738-012582dd168319a861252cdb99e40d73">Agora, não a descarta</a>. “Decidiremos sobre uma CPI em um momento oportuno, tão logo possamos esgotar as medidas mais urgentes: auxílio emergencial, leito de UTIs credenciados e vacinação em maior escala para a população brasileira”, afirmou no mesmo debate do qual participou o presidente da Câmara.</p>



<p>Os próximos passos do grupo devem ser dados nas próximas semanas, quando começarem a aparecer os resultados das primeiras ações do novo ministro Queiroga. Uma sinalização de que o pavio está curto pode ser resumida na manifestação do deputado Marcelo Ramos (PL-AM)&nbsp;<a href="https://twitter.com/marceloramosam/status/1371795873928200193">em sua conta no Twitter</a>. “A situação do país não permite que ministro da Saúde tenha tempo pra aprender a ser ministro. As respostas terão que ser rápidas e efetivas. Passar mensagens claras de compromisso com as políticas de prevenção e acelerar o processo de vacinação devem ser ações imediatas.” Ramos é o primeiro vice-presidente da Câmara. Tem sido uma espécie de porta-voz de seu grupo em assuntos espinhosos.</p>



<p>Leoa o texto publicado originalmente no El País clicando aqui:<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/centrao-usa-crise-na-saude-e-rejeicao-a-bolsonaro-para-elevar-seu-preco-e-pedir-cinco-ministerios-ao-planalto.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-17/centrao-usa-crise-na-saude-e-rejeicao-a-bolsonaro-para-elevar-seu-preco-e-pedir-cinco-ministerios-ao-planalto.html</a></p>



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		<title>Lula: “Falta que a gente tenha uma próxima eleição para medirmos força com Bolsonaro”</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2021 13:00:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Entrevista - Lula]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Petista vê chances de o seu partido ganhar a presidência em 2022, seja com ele ou com Haddad, ou o nome da esquerda que se sobressaia até lá. “Me contento em ir para a rua fazer campanha para um aliado nosso”. Para ele, a realidade vai se impor e Bolsonaro vai perder a disputa</p>
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<p><a href="https://brasil.elpais.com/autor/jan-martinez-ahrens/">J</a><strong><em><a href="https://brasil.elpais.com/autor/jan-martinez-ahrens/">AN MARTÍNEZ AHRENS</a><a href="https://twitter.com/jmahrens" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>|<a href="https://brasil.elpais.com/autor/carla-jimenez/">CARLA JIMÉNEZ</a></em></strong></p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/noticias/luiz-inacio-da-silva/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><strong>Luiz Inácio Lula da Silva</strong></a>&nbsp;vive um momento de energia em estado puro. Tem 75 anos, superou o câncer, o coronavírus e a prisão, e diz se sentir “com 30 anos.” Aparece na entrevista feita por Zoom em uma camisa de mangas e se posiciona de pé diante da câmera do computador. Parece estar à vontade; é sexta-feira, no último dia 5, e fala da sua casa em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, onde vive com&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/05/24/politica/1558716869_495068.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Rosângela Silva, a Janja, socióloga por quem</a>&nbsp;se apaixonou quando estava preso em Curitiba. Às suas costas aparecem alguns poucos livros de capa mole e uma bandeira vermelha, de mesa, que exibe a sigla do PT e que, por causa de uma estranha corrente de ar, parece se movimentar em uníssono com Lula, como num comício, quando ele entra em ebulição. Algo que ocorre com frequência ao longo da entrevista.</p>



<p>É um fenômeno que vai crescendo. Primeiro Lula tira os óculos (quadrados e ostensivamente grandes), depois acelera o ritmo da resposta e, à medida que os minutos passam, dá rédea solta ao tigre político que habita nele. Fala, ri e ruge; agita os braços, bate na mesa. Lula ―e esta é uma das chaves da sua extraordinária capacidade de atração― transita de forma incessante pelos muitos Lulas que ele já foi. Ao longo de uma hora e meia de conversa, se sucedem, numa tela que fica cada vez menor, o homem que um dia foi pobre e que sabe se dirigir a outros interlocutores pobres, o torneiro mecânico simpático, o sindicalista que enfrentou a ditadura militar, o candidato dos grandes comícios e até o presidente (2003-2011) que deu ao Brasil anos de grandeza. Mas também o homem que foi preso e se revolta contra sua condenação, o político cassado que busca limpar seu nome.&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/09/politica/1573337968_481157.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Lula passou 580 dias preso por&nbsp;</a>corrupção e lavagem de dinheiro. E já recebeu outra sentença por crimes&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/11/27/politica/1574855153_774030.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">semelhantes no sítio de Atibaia</a>. Esse rochedo o esmaga, e contra ele volta agora todas as suas energias.</p>



<h3 class="wp-block-heading">MAIS INFORMAÇÕES</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://elpais.com/internacional/2021-03-06/la-politica-es-mi-adn-solo-cuando-muera-dejare-de-hacerla.html?rel=listapoyo">En español | Lula: “La política es mi ADN, solo cuando muera dejaré de hacerla”</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-29/rejeicao-a-bolsonaro-turbina-chance-de-todos-os-opositores-em-2022.html?rel=listapoyo">Rejeição a Bolsonaro turbina chance de todos os opositores em 2022</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-14/a-esquerda-retoma-o-voo-na-america-latina-mas-ainda-nao-encontra-seu-lugar-no-brasil.html?rel=listapoyo">A esquerda retoma o voo na América Latina, mas ainda não encontra seu lugar no Brasil</a></li></ul>



<p>“Aprendi com uma mãe analfabeta que não podemos viver ressentidos, que devemos ser firmes e acreditar que a vida pode melhorar. Tenho muito otimismo”, diz, em um dos raros momentos em que fica quieto (e a bandeirinha também). É só um instante. Depois continuará disparando para todos os lados, pisando fundo no acelerador de um motor que nunca se esgota e que fez dele uma lenda, tão querida quanto odiada, da esquerda latino-americana. Seu otimismo o deixa seguro de que o PT tem chances de voltar ao poder, seja com ele ou outro nome. Neste domingo, uma pesquisa publicada no jornal&nbsp;<em>O Estado de S. Paulo&nbsp;</em>reforçou sua ambição<em>.&nbsp;</em>Levantamento do Ipec<a href="https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,potencial-de-voto-de-lula-supera-o-de-bolsonaro,70003639096" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mostra que 50% dos entrevistados votariam nele</a>&nbsp;outra vez em 2022, contra 28% de presidente Jair Bolsonaro ―e 31% de Sergio Moro. Pela enésima vez, ele volta ao centro do debate político.</p>



<p><strong>Pergunta.</strong>&nbsp;Como tem levado o confinamento, alguém inquieto como o senhor. Estaria na rua?</p>



<p><strong>Resposta.&nbsp;</strong>Me sinto mal ficando em casa. Não me contento em ficar definhando. Vai te matando dentro. Apesar de estar namorando e apaixonado, preciso sair para a rua, respirar liberdade, falar com o povo. Toda vez que sinto falta de ar, não é o coronavírus, é a necessidade de falar com o povo, aprender com eles. Nasci em porta de fábrica. Por ora vou me cuidar e respeitar a ciência. Quando tomar a vacina e for autorizado eu saio.</p>



<p><strong>P.</strong>&nbsp;O Brasil, diferente de outros países da região, está no pior momento da pandemia. A quantidade de mortes é terrível e a vacinação é lenta. Como vê a situação do Brasil, como ex-presidente e cidadão?</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;O Brasil vive um acidente de percurso da nossa democracia e da nossa civilidade por conta do presidente Bolsonaro. Ele tem demonstrado não&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-05/bolsonaro-repete-tatica-da-chacota-sobre-pandemia-para-mobilizar-radicais-e-desviar-atencao.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ter nenhuma preocupação com a seriedade</a>, seja para tratar a covid, a economia, a educação ou a sua relação internacional. O Brasil sempre foi o país que não tinha problemas com país nenhum no mundo. O vírus é uma coisa da natureza. Enfrentar o vírus é da responsabilidade&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-05/na-corrida-contra-o-colapso-abrir-leitos-e-a-unica-e-precaria-arma-dos-estados.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">das políticas públicas dos governantes no mund</a>o. Aqui no Brasil, o presidente desrespeita a ciência, receita remédio, não tem solidariedade, nem respeito pela vida. Se o Brasil vivesse um momento de democracia efetivamente, o Bolsonaro já tinha sofrido o impeachment. Deixamos de comprar vacina quando poderia, vacinar quando deveria, e ele continua fazendo campanha contra o isolamento. É quase um genocida no tratamento da pandemia. O Brasil não merece isso.</p>



<p><strong>P.</strong>&nbsp;Contudo, Bolsonaro continua com 30% de apoio popular e ainda num momento de economia ruim. Como se explica?</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;No mundo inteiro,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-10-07/lula-bolsonaro-deu-cidadania-a-extrema-direita.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">você sempre tem entre 15% e 20%</a>&nbsp;da sociedade que não querem votar, não gosta de política. Aquela parte da sociedade ultraconservadora, que defende pena de morte, que as pessoas tenham armas ao invés de empregos e livros, que defende a violência, são contra negros, mulheres, LGBTs, quilombolas, sindicatos. Essa gente existe. Muitos ex-militares aposentados, milicianos da guarda privada, gente que depende do Bolsonaro. O fato dele ter esse apoio significa que tem 70% que não concordam. E são esses 70% que vão garantir a democracia. Que na hora da decisão, vão se manifestar.</p>



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<p><strong>P</strong>. Mas, neste momento,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-14/a-esquerda-retoma-o-voo-na-america-latina-mas-ainda-nao-encontra-seu-lugar-no-brasil.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">não há uma oposição forte no país.</a>&nbsp;Os últimos resultados eleitorais do seu partido PT foram ruins. Não falta uma nova liderança? O que falta para que o PT recupere força?</p>



<p><strong>R</strong>. Falta que a gente tenha uma próxima eleição para medirmos força [na urna]. Eu lembro que quando o [partido espanhol] Podemos [junto com grupos à esquerda do PSOE]&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2015/06/13/internacional/1434187568_148301.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">ganhou as eleições da prefeitura [de Madri]</a>, muita gente falou que o PSOE tinha acabado. Quem governa a Espanha hoje é o PSOE. O PT continua sendo o maior partido do Brasil, a força política mais organizada do país. O PT tem sido vítima de uma campanha de destruição enorme, com [a operação] Lava Jato. A minha inocência está provada e a culpabilidade do Ministério Público, do [Sérgio] Moro e da Polícia Federal está mais do que provada. Em 2016, na minha defesa, a gente&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-10/stf-ratifica-acesso-de-lula-a-dialogos-vazados-da-lava-jato-mas-adia-debate-sobre-validade-como-prova.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">já dizia tudo que está sendo publicado</a>&nbsp;agora,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-09/defesa-de-lula-se-arma-para-usar-mensagens-vazadas-da-lava-jato-e-anular-acoes-nao-julgadas-por-moro.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">os documentos oficiais liberados pela Suprema Corte</a>. Houve um conluio para evitar que o Lula pudesse voltar à presidência do Brasil. Mentiu uma parte da Justiça, uma parte do Ministério Público, da Polícia Federal. Envolveram muita gente numa mentira, reforçada pelos meios de comunicação. Agora que sabem a verdade, como vão dizer para a sociedade que, durante 5 anos, condenaram uma pessoa inocente?</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>Se conseguir vencer a batalha judicial, se apresentaria como candidato?</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;Eu necessariamente&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-29/rejeicao-a-bolsonaro-turbina-chance-de-todos-os-opositores-em-2022.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">não preciso ser candidato</a>&nbsp;a presidente, porque eu já fui. Estou com 75 anos, com muita saúde, mas descobri que o [Joe] Biden é mais velho do que eu e governa os EUA. Quando eu chegar em 2022, eu vou estar apenas com 77 anos, um jovem. Se chegar na época e os partidos de esquerda entenderem que eu posso representá-los, eu não tenho problema. Mas o PT tem outras opções, tem o Fernando Haddad, outros governadores. E a esquerda também tem: Flávio Dino, o [Guilherme] Boulos&#8230; Na hora que tiver que decidir, vamos ver quem tem mais condições de ganhar. A única possibilidade que eu tenho de ser, porque eu não disputarei com ninguém, é se as pessoas entenderem que eu sou o melhor nome. Se não, me contentarei em ir para a rua fazer campanha para um aliado nosso. Pedi ao Fernando Haddad começar a lutar pelo Brasil, porque ele tem um passaporte diplomático de 47 milhões de votos conquistados em 2018, ele não pode ficar parado em casa. Tem que ir pra rua conversar sobre educação, emprego, sobre salário, custo de vida. E sobre coronavírus, precisamos exigir todo dia</p>



<figure class="wp-block-image"><img decoding="async" src="https://imagens.brasil.elpais.com/resizer/CpNy8nnnGByq673aoy99cpoy3cY=/1500x0/cloudfront-eu-central-1.images.arcpublishing.com/prisa/BDFTAEOEPZFABMPCBCX3UGO36Q.JPG" alt="O ex-presidente Lula, na ocasião da entrevista via Zoom ao EL PAÍS, na sexta-feira, 5 de março. "/><figcaption>O ex-presidente Lula, na ocasião da entrevista via Zoom ao EL PAÍS, na sexta-feira, 5 de março.</figcaption></figure>



<p>que esse país consiga comprar as vacinas para que o povo possa ter tranquilidade em viver dignamente.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>O senhor tem dialogado com lideranças da esquerda e da direita sobre a eleição?</p>



<p><strong>R.&nbsp;</strong>Você sabe que eu não tenho problema em conversar com ninguém. Às vezes eu vejo a imprensa ficar impressionada porque os conservadores ganharam a Câmara. Eles nunca perderam. Na Constituinte, em 1988,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-03/quando-o-rabo-abana-o-cachorro-ou-a-eterna-volta-do-centrao-que-nunca-se-foi.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Centrão percebeu que a gente estava crescendo</a>&nbsp;e fazendo coisas demais, eles se reorganizaram e fizeram mais que nós. Toda vez que tem algo importante para votar, se constrói a maioria. A direita sempre foi maioria, a esquerda nunca. Acontece que a democracia é boa por conta disso. Não parecia que o Podemos era inimigo do PSOE na Espanha? E não se juntaram para governar? O [ultradireita] AfD não está junto com a Merkel? A política é boa por conta disso. Você vai construindo aquilo em que você acredita que é bom e aí a realidade te empurra para algo que não esperava.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>E com Ciro Gomes?</p>



<p><strong>R</strong>. Não tenho&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/ciro-gomes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">problema com Ciro Gomes.</a>&nbsp;Gosto dele de graça, como disse outras vezes. Mas ele está equivocado e precisa compreender. Ele resolveu engrossar o discurso antipetista achando que vai ganhar votos da direita. Não vai. Isso que é grave. Não adianta falar mal do PT e da esquerda achando que vai ganhar voto do Doria. Se continuar discurso xenófobo contra o PT ele vai perder gente da base dele. Se teve 12% na última eleição ele pode cair. E eu acho que o Ciro Gomes é importante para o Brasil. Mas ele precisa acertar na política. Ele pode não ter no PT o maior aliado porque o PT não o apoiou. Mas ele não pode considerar PT inimigo.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>Hoje o Bolsonaro está<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-04/nova-cupula-do-congresso-acena-a-economia-e-nao-a-pauta-ultraconservadora-de-bolsonaro.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;alinhado ao Congresso reformista,</a>&nbsp;com a agenda de teto de gastos. Não é pouco tempo para acreditar que o PT pode mudar a mentalidade no Brasil?</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;O PT pode e deve. Todo o combate ao coronavírus, ele se dá mais corretamente nos países onde o Estado tem políticas públicas de saúde. Aqui no Brasil,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/sus-sistema-unico-saude/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o SUS foi atacado pela elite brasileira</a>&nbsp;desde que foi criado em 1988. Agora com o coronavírus, todo mundo começa a reconhecer que se não fosse o SUS o Brasil estaria muito pior. Por que é o sistema público de saúde invejável. E do qual&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-06-25/nem-o-pior-ministro-da-saude-fez-o-que-exercito-esta-fazendo-desmontando-a-engrenagem-do-sus.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">eles cortaram muito dinheiro</a>&nbsp;e que salva milhões de pessoas neste país. É o profissional do SUS, a estrutura do SUS que tem salvo o Brasil, que faz com que não esteja pior do que está.</p>



<p><strong>P.</strong>&nbsp;Quando o senhor governou a China começava a investir muito, um momento favorável.</p>



<p><strong>R</strong>. Quero desfazer esse equívoco que às vezes vocês cometem. “Ah porque teve um boom de commodities” [nos anos do PT]. Boom de commodities tem hoje. O problema é saber onde você vai gastar o dinheiro no país, aonde é que o pobre vai entrar na economia. Nós fizemos uma inclusão bancária de 76 milhões de pessoas, levamos energia de graça na casa de 15 milhões de pessoas, cisternas. Viajei muito pelo mundo, vendia a capacidade intelectual e produtiva do Brasil.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>Mas agora nosso endividamento está perigoso.</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;O Brasil é muito grande e pode voltar a ser. Tenho a impressão de que o povo vai começar a perceber o que aconteceu no Brasil. Obrigatoriamente vai ter que comparar o que era no governo do PT e o que é o Brasil no governo do Bolsonaro, e dos outros.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>Falando agora deEstados Unidos, eles tinham o presidente Donald Trump, muito parecido com o Bolsonaro. Seu último ato&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-01-19/trump-sem-duvida-causou-invasao-do-capitolio-diz-advogado-do-xama-do-qanon.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">foi fomentar a invasão do Capitólio</a>. Acredita que pode acontecer algo parecido se Bolsonaro perder as eleições?</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;Eu acho que o Bolsonaro vai perder as eleições, e a vitória será para alguém progressista, espero que seja para o PT.&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-15/decretos-para-aumento-de-venda-de-armas-elevam-inseguranca-com-bolsonaro-e-tema-pode-chegar-ao-stf.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Acho que ele está armando o povo</a>. Quem quer comprar arma, não é o trabalhador. O metalúrgico, o químico, o professor. As pessoas querem comprar comida, emprego. O Bolsonaro está vendendo armas para quem? Para uma elite, agrícola, ex-policiais, milicianos que lhe dão segurança, para a turma que matou&nbsp;<a href="http://marielle.se/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Marielle.&nbsp;</a>Se o PT voltar a ganhar as eleições, a gente vai desarmar o povo e recuperar o humanismo da sociedade brasileira, deixar esse ódio de lado. Só tem um remédio para este país: fortalecer a democracia. Tenho clareza absoluta que a gente pode ganhar outra vez. Aqui no Brasil o que parece impossível hoje vai ser possível amanhã. Este país é poderoso. O que ele tem é uma elite perversa, que acha que tudo é para ela. Precisamos de uma sociedade solidária, em que o humanismo prevaleça sobre a chamada inteligência artificial. Não quero virar algoritmo. Não quero que a sociedade vote num Trump ou num troglodita como o Bolsonaro nunca mais. As pessoas precisam votar em homens que pensam o bem.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>Ou&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-10-11/mais-do-que-eleger-mulheres-precisamos-acabar-com-o-teto-de-vidro-para-elas-na-politica.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mulheres, não presidente?</a>&nbsp;Não só homens.</p>



<p><strong>R</strong>. Se tem uma pessoa que apostou na conquista das mulheres é este seu amigo aqui. No PF tivemos uma presidente mulher, 50% do meu partido são mulheres.</p>



<p><strong>P.</strong>&nbsp;E tem uma mulher despontando como potencial candidata, cogitada até pelo PT, que é a empresária Luiza Trajano, nome inclusive de fora da política. Como o senhor a vê?</p>



<p><strong>R</strong>. Conheço e adoro a Luiza Trajano como mulher, pessoa humana e empresária. Acontece que o mundo da política é insano, não é uma coisa fácil. Uma coisa é dirigir uma coisa sua, uma rede, uma fábrica. Outra é um Estado, um país, em que você presta conta para empresa, sindicato, Parlamento. Não tem curso universitário para preparar político. A política é difícil, é tomada de posição e não é ciência exata sempre. Você tem que decidir de que lado você está sempre, para quem quer fazer o bem. Atender uma [parte] e ferir a outra. Toda vez que se nega a política o que acontece é um Bolsonaro.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>Em que se diferencia o Lula que assumiu o poder em 2003 e o Lula de agora? Qual experiência lhe trouxe a prisão?</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;O Lula de hoje não é diferente do Lula de 2002. Sou mais experiente, um pouco mais velho, mas continuo com a mesma vontade e a mesma certeza que é possível mudar o Brasil. Sonhava em possível construir um bloco econômico forte na América do Sul. Hoje, com a União Europeia, não dá pra você ficar negociando sozinho. Vamos ser francos, [meu tempo] foi o melhor momento da América Latina desde Colombo. Acho que o continente precisa se convencer que não pode continuar no século XXI sendo a parte do mundo que tem mais desemprego, mais miséria e mais violência. Sou a prova que o Brasil foi convidado para quase todas as reuniões do G-8, e virou protagonista internacional e é isso que os americanos não querem. Não querem competição. Por exemplo, não é assimilável que o Trump queira invadir a Venezuela e que países europeus reconhecerem o [Juan] Guaidó como presidente. Como reconhecer um impostor, alguém que não concorreu à presidência? A Europa é que desapareceu da política. Tudo é comissão. Tem comissão daquilo, de meio ambiente, tudo burocrata. Os governantes são eleitos e desaparecem. É preciso que a política volte a assumir o seu papel, tomar grandes decisões.</p>



<p><strong>P.&nbsp;</strong>Mas o que mudou pessoalmente, com a prisão? Poucos políticos viveram isso. O que isso mudou do ponto de vista pessoal?</p>



<p><strong>R</strong>. Se eu dissesse que eu não tenho mágoa de algumas pessoas eu estaria mentindo. Mas nunca na minha vida trabalhei com meus rancores. Quando a gente tem ódio a gente dorme mal, faz digestão mal. Como eu sempre tive consciência do que estava acontecendo comigo, eu nunca tive dúvida. Quando eu estava detido na Polícia Federal, houve uma tentativa de que eu fosse libertado e viesse para casa e utilizasse tornozeleira. O que eu disse? ‘<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/26/politica/1556287380_455877.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eu não troco minha dignidade pela minha liberdade’</a>. Eles procuravam um motivo para me prender. Preciso agora deixar de ser refém, que a Suprema corte vote e decida. Só quero um julgamento honesto, eu não vou mais xingar o Moro, nem o Ministério Público. Todo político que rouba se esconde, submerge. E eles pela primeira vez enfrentaram um político que não tem medo deles porque sou inocente. É preciso saber quando o Supremo vai tomar a decisão porque ao me colocar como inocente eles vão ter que dizer que os outros mentiram, que a rede Globo mentiu, que a imprensa toda mentiu. Será o dia do perdão. Fico imaginando o dia em que o William Bonner abrirá o&nbsp;<em>Jornal Nacional</em>&nbsp;dizendo: “Boa Noite, hoje nós queremos pedir desculpas para o ex presidente Luiz Inácio Lula da Silva porque acreditamos nas mentiras do Dallagnol e do Moro”.</p>



<p><strong>P</strong>. É utopia, né, presidente?</p>



<p><strong>R.</strong>&nbsp;Você acha impossível, mas eu acho que vai acontecer.&nbsp;<a href="https://noticiasdatv.uol.com.br/noticia/televisao/globo-admite-pela-primeira-vez-na-televisao-que-errou-nas-diretas-ja-7512" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Eles pediram desculpas porque não cobriram</a>&nbsp;as [manifestações pelas] eleições diretas depois de 30 anos. Os americanos&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2018/05/11/politica/1526053261_197839.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">admitiram que interferiram no golpe [de 1964]</a>&nbsp;depois de 50 anos. Não sei se vou estar vivo mas mesmo que eu estiver no túmulo eu levantarei por alguns segundos de alegria por que finalmente a verdade aconteceu.</p>



<p><strong>P.</strong>&nbsp;Deixaria um dia a política?</p>



<p><strong>R</strong>. Não, não penso. A política está no meu DNA, é uma célula no meu corpo. Quando somente essa célula parar de produzir e eu morrer é que eu pararei de fazer política. Não tem saída para humanidade fora da política, para a democracia, para o crescimento econômico e a distribuição de riqueza. Tudo depende da política. Em 1978 eu dizia: “Eu não gosto de política e não gosto de quem gosta de política.” Hoje eu digo, eu gosto de política e toda sociedade deveria gostar.</p>
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		<title>As palavras que Bolsonaro nunca pronunciará, porque lhe queimam a língua</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 08 Mar 2021 12:52:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Artigo - Juan Arías]]></category>
		<category><![CDATA[z-capa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em seu vocabulário não cabem as palavras que constroem pontes de esperança, e sim as que buscam escavar trincheiras de guerra. Odeia falar de democracia e de respeito à natureza. A morte é o seu lema</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><a href="https://brasil.elpais.com/autor/juan-arias/">J<em>UAN ARIAS</em></a> &#8211; <strong><em>El País</em></strong></p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-06/desmonte-ambiental-manobra-de-damares-e-censura-contra-professores-e-no-ipea-sao-as-novas-ofensivas-do-governo-bolsonaro-em-pleno-auge-da-pandemia.html?rel=listapoyo">No auge da pandemia, Governo Bolsonaro censura professores e acelera desmonte ambiental e de direitos humanos</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-06/no-futuro-vao-se-lembrar-que-professores-foram-processados-por-criticar-o-governo-bolsonaro-e-uma-mancha-na-historia-do-pais-diz-alvo-de-censura.html?rel=listapoyo">“No futuro, vão se lembrar que professores foram processados por criticar o Governo Bolsonaro”, diz alvo de censura</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-06/amazonas-caminha-para-terceira-onda-de-covid-19-com-proliferacao-de-variantes-e-o-negacionismo-da-vacina-e-do-lockdown.html?rel=listapoyo">Amazonas caminha para terceira onda de covid-19, com proliferação de variantes e o negacionismo da vacina e do ‘lockdown’</a></li></ul>



<p>O vocabulário do presidente&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/jair-messias-bolsonaro/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Jair Bolsonaro</a>&nbsp;é muito restrito, talvez porque ele nunca tenha lido. Em seu dicionário pessoal só existem insultos, palavras obscenas, ameaças, zombarias. E as pronuncia sempre gritando, irritado, insultando, ameaçando. Seu vocabulário é o das armas, da guerra, do ódio e da morte.</p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-05/bolsonaro-repete-tatica-da-chacota-sobre-pandemia-para-mobilizar-radicais-e-desviar-atencao.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em seus discursos</a>&nbsp;e arroubos de loucura não existem palavras de vida, de esperança, de alento, de compaixão. Ou ele desconhece essas palavras com as quais se constrói o mundo, ou elas queimam a sua língua.</p>



<p>Suas palavras, sempre burlescas ou ameaçadoras, evocam mais a linguagem atemorizante das armas que a alegria da vida. Não são palavras que convidem a compartilhar com o próximo seu pedaço de pão, e sim a desprezar a dor e a fragilidade.</p>



<p>Para ele, a vida é um direito apenas dos fortes, dos impassíveis perante a dor alheia. Zomba dos que choram e têm medo da morte. Onde pisa, por onde passa, deixa os rastros da indiferença para com os fracos.</p>



<p>Em seu vocabulário não cabem as palavras que constroem pontes de esperança, e sim as que buscam escavar trincheiras de guerra. Odeia falar de democracia e de respeito à natureza. A morte é o seu lema.</p>



<p>Não entende a política do diálogo e do respeito às diferenças, que são os ingredientes com os quais se constrói a paz. Quem, como ele, exalta a tortura e as armas e é incapaz de pronunciar palavras como diálogo, liberdade ou harmonia é porque nunca saboreou o pão quente do encontro, do convívio pacífico, da compaixão com a dor alheia e da alegria compartilhada.</p>



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<p>Quem zomba da morte e aboliu do seu dicionário a empatia pelos que sofrem é porque renunciou a saborear o melhor da vida, que é a paz. Para isso, entretanto, é necessário ser um homem de verdade, que não teme a fraqueza e nem os limites impostos pela realidade da vida, e que acredita ser onipotente.</p>



<p>Bolsonaro me lembra aquele militar espanhol, Millán Astray, que em plena guerra civil gritou na Universidade de Salamanca, em 1936: “Morte à inteligência, viva a morte!”.</p>



<p>E, no entanto, as sociedades são construídas com o grito de “viva a vida”. Um grito que surge das profundezas do amor e da esperança, e que por isso Bolsonaro nunca conseguirá entender. Ele se alimenta com as palavras de morte.</p>



<p>Por isso, a esperança para o Brasil que não renunciou às palavras que geram harmonia em vez de ódios é que Bolsonaro acabe apagado do dicionário para voltar ao esquecimento, e que um dia seja recordado apenas como um pesadelo que turvou nossos sonhos.</p>



<p>A esperança é que o parêntese de negacionismo do capitão e seu desprezo pela vida sejam, na expressão do Quixote, apenas “uma noite ruim passada em uma estalagem ruim”.</p>



<p>Depois das tempestades e dos trovões costuma aparecer o sorriso de um arco-íris, essa beleza que é incapaz de agradar ao capitão que, no dia em que o Brasil&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-02/brasil-tem-1641-mortes-por-covid-19-um-recorde-e-em-19-estados-a-ocupacao-das-utis-supera-80.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">registrou o maior número de mortes da pandemia</a>, um dia de luto nacional, foi saborear um banquete com direito a leitão, cerveja e gargalhadas.</p>



<p>Pelo amor que tenho a este país, prefiro pensar que os raios e ameaças do militar frustrado sejam apenas um sinal de sua fragilidade, que acabará se desmanchando como uma bolha de sabão. Só então o Brasil voltará a respirar o ar puro de sua natureza, hoje martirizada e desprezada por ele.</p>



<p>Quando cruzo com um brasileiro, prefiro ver no fundo de seus olhos as imagens de suas origens povoadas pelas belezas naturais de suas florestas e o reflexo de seus mares e rios cristalinos.</p>



<p>O Brasil leva o nome de uma árvore da selva, essa que hoje&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-03-06/desmonte-ambiental-manobra-de-damares-e-censura-contra-professores-e-no-ipea-sao-as-novas-ofensivas-do-governo-bolsonaro-em-pleno-auge-da-pandemia.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Bolsonaro tenta transformar em um deserto</a>&nbsp;perante o espanto do mundo. Quem rege os destinos deste país parece, mais que um brasileiro, alguém chegado de um planeta de espinhos e pedras.</p>



<p><em><strong>Juan Arias</strong></em><em>&nbsp;é jornalista e escritor, com obras traduzidas em mais de 15 idiomas. É autor de livros como Madalena, Jesus esse Grande Desconhecido, José Saramago: o Amor Possível, entre muitos outros. Trabalha no EL PAÍS desde 1976. Foi correspondente deste jornal no Vaticano e na Itália por quase duas décadas e, desde 1999, vive e escreve no Brasil. É colunista do EL PAÍS no Brasil desde 2013, quando a edição brasileira foi lançada, onde escreve semanalmente.</em></p>



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		<title>Amazonas vive a dor que não cessa após um mês de colapso na saúde</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 24 Feb 2021 19:50:14 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Pandemia]]></category>
		<category><![CDATA[z-capa]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Com casos de covid-19 ainda em alta e sob os efeitos da crise que culminou na falta de oxigênio para doentes, Estado decide flexibilizar o comércio. Somente neste início de 2021, montante de vidas perdidas é quase o dobro do registrado durante todo 2020</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>STEFFANIE SCHMIDTManaus&nbsp;&#8211;&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/acervo/2021-02-16/">16 FEV 2021 &#8211; 20:41</a></p>



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<p>Um mês depois&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-15/morrer-sem-oxigenio-em-uma-maca-em-manaus-a-tragedia-que-escancara-a-negligencia-politica-na-pandemia.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">da catastrófica falta de oxigênio medicinal nos hospitais de Manaus</a>&nbsp;e do interior do Amazonas, ocorrida em 14 de janeiro, o Estado já registrou quase 4.000 óbitos&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/coronavirus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">por covid-19</a>. Somente neste um mês e meio de 2021, o montante de vidas perdidas é quase o dobro do número registrado durante todo o ano de 2020, segundo dados da Fundação de Vigilância Sanitária do Amazonas (FVS-AM), totalizando 10.100 mortes desde o início da pandemia. Embora a&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-24/400-reais-para-respirar-mais-quatro-horas-em-manaus.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">corrida pelo oxigênio tenha sido freada</a>, a situação ainda não é estável, com hospitais lotados e o consumo diário do gás medicinal atingindo a média de 86.000 metros cúbicos, 10.000 a mais do que o registrado no pico da crise. Ainda assim, o Governo do Estado anunciou no último sábado (13) a flexibilização das regras mais rígidas de circulação que havia adotado, permitindo a abertura do comércio no sistema&nbsp;<em>drive-thru</em>&nbsp;e liberou o transporte de cargas de produtos no período de 24 horas. A medida passou a valer na última segunda-feira (15), e segue pelos próximos sete dias.</p>



<h3 class="wp-block-heading">MAIS INFORMAÇÕES</h3>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-21/pesquisa-revela-que-bolsonaro-executou-uma-estrategia-institucional-de-propagacao-do-virus.html?rel=listapoyo">Pesquisa revela que Bolsonaro executou uma “estratégia institucional de propagação do coronavírus”</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-24/400-reais-para-respirar-mais-quatro-horas-em-manaus.html?rel=listapoyo">400 reais para respirar mais quatro horas em Manaus</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-15/morrer-sem-oxigenio-em-uma-maca-em-manaus-a-tragedia-que-escancara-a-negligencia-politica-na-pandemia.html?rel=listapoyo">Morrer sem oxigênio em Manaus, a tragédia que escancara a negligência política na pandemia</a></li></ul>



<p>“Nas últimas quatro semanas atingimos índice de isolamento social de 50%, chegando a um pouco mais de 60% em alguns dias. Esse não é o ideal, mas a gente entende o esforço e faz um apelo à população para que as medidas de isolamento sejam adotadas no dia a dia”, afirmou o diretor técnico da FVS-AM, Cristiano Fernandes, durante live realizada no sábado (14) para anunciar as medidas de relaxamento. O quadro apresentado pelo diretor aponta o “aumento da frequência de prováveis reinfecções” e “o aumento de casos em duas regiões do interior do Estado”, que ainda permanecem na fase roxa, a mais grave do plano de contingenciamento.</p>



<p>O Amazonas apresentou uma tendência de redução de 21% na media móvel de contaminação nos últimos 14 dias, mas ainda está em platô elevado de número de casos com uma taxa de transmissão de 1,01, ou seja, cada 100 pessoas infectadas podem transmitir para 101 em um intervalo de uma semana. “Isso caracteriza alta transmissão. Ainda é um perfil epidemiológico que preocupa, apesar dessa desaceleração. Não é o momento de relaxarmos, mas de mantermos nossas medidas de prevenção para que consigamos diminuir ainda mais o risco de transmissão. Os 61 municípios do interior continuam na fase roxa. Manaus regrediu para a fase vermelha que ainda é grave”. A apresentação técnica dos dados, feita pelo diretor da FVS-AM, Cristiano Fernandes, parecia desconexa com a decisão do governador Wilson Lima, que estava ao lado dele durante o anúncio das medidas de flexibilização no Estado.</p>



<p>Pressionado pelo comércio e com dez pedidos de impeachment contra ele protocolados na Assembleia Legislativa, o governador do Amazonas decidiu pelo funcionamento do setor, o que incentivou uma parte dos estabelecimentos a já funcionarem de forma irregular no mesmo dia, antes ainda da validação do decreto. Na rua do Comércio, em Manaus, por exemplo, restaurantes atendiam clientes nas mesas normalmente, e lojas recebiam pessoas.</p>



<p>A vacinação em massa de pelo menos 70% da população elegível de Manaus e das sete cidades do entorno, impactadas diretamente pela capital, é a única solução plausível para puxar a curva de contaminação para baixo, na avaliação do epidemiologista Jesem Orellana. “Para diminuir casos novos, reduzir casos graves e a mortalidade, essa é a solução. Isso devolve a dinâmica à economia, a possibilidade do empresário pensar nos próximos meses sem a preocupação de&nbsp;<em>lockdown</em>. Hoje temos centenas de pessoas passado fome por conta da negligência de autoridades responsáveis pela tragédia da primeira e segunda onda, que seguem impunes”, afirmou em&nbsp;<em>live&nbsp;</em>realizada na noite de sábado (13).</p>



<p>Ele explica que focar onde a pandemia está castigando, ou seja, priorizar regiões como o&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-03/ritmo-lento-na-vacinacao-contra-a-covid-19-no-brasil-favorece-novas-cepas-do-virus.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Amazonas, é seguir o critério epidemiológico, técnico&nbsp;</a>e não o político. “O critério usado hoje pelo Ministério da Saúde, na minha avaliação e de dezenas especialistas, é equivocado. Quando você tem escassez de vacinas e pulveriza essa distribuição não há a menor possibilidade de alcançar imunidade coletiva ou controlar a transmissão. Isso joga fora a oportunidade de focar no problema principal para dar conta depois dos problemas menores”.</p>



<p>Até o momento, 214.534 doses foram aplicadas em todo Amazonas até terça (16), sendo 202.828 primeiras doses e 11.706 segundas doses.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Unidades lotadas</h3>



<p>A atendente de bar e restaurante, Patrícia Pereira Corrêa, 52, gastou 100 reais com transporte por aplicativo no início da tarde de domingo (14), para conseguir atendimento para o marido, Sílvio César de Figueiredo, 48, percorrendo três unidades de saúde para achar um lugar que pudesse atendê-lo. Ela está desempregada desde o início da pandemia e dependia do<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/auxilio-emergencial/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;auxílio emergencial para sobreviver</a>. “Hoje a gente conta com ajuda de um e de outro. Nem tenho esse dinheiro, mas ele estava passando muito mal, com os dedos roxos”.</p>



<p>Atualmente, a fila de espera por um leito para covid-19 é de 227 pacientes, sendo 149 para leitos clínicos e 78 para UTI. Segundo o Governo do Estado, a fila tem diminuído: há 18 dias, 659 pessoas aguardavam uma vaga. Segundo o órgão, 542 pacientes com covid-19 já foram transferidos do Amazonas para outros Estados. Desse total, 271 pacientes (50%) receberam alta hospitalar, 242 retornaram ao Estado e 62 faleceram (11,43%).</p>



<p>O Governo afirma que no momento as unidades de saúde da capital e do interior estão abastecidas de oxigênio, mas a demanda pelo insumo ainda está acima da média histórica, o que exige que ele seja levado pela White Martins de outros Estados a Manaus. O Governo prevê instalar 74 usinas de oxigênio, sendo que 28 delas já se encontram em operação. “A solução para o problema passa pela queda do número de internações, que puxará para baixo o consumo de oxigênio das unidades. Nessa frente, o Governo se esforça, com o auxílio do Governo Federal e dos municípios, para acelerar ao máximo a imunização da população contra a Covid-19”, informou o órgão em nota.</p>



<h3 class="wp-block-heading">Impactos psicológicos</h3>



<p>Diante de tantas mortes e do trauma causado por um sistema de saúde em que não se pode confiar, os impactos psicológicos são muitos, conta a psicóloga Carolina Omena, que vem atuando de forma voluntária no atendimento online de pacientes em Manaus desde o início do ano. “Atendi recentemente o filho de uma senhora de 59 anos que foi internada com covid-19 depois de ter rodado por vários hospitais. Dias depois de conseguir o atendimento, ele pode entrar no hospital e soube que a mãe ficou durante quatro dias no corredor sem assistência, mesmo com a saturação oscilando entre 45% a 50% e teve que dividir oxigênio com outras pessoas. Ele conta que tinha que abraçar a mãe para que ela não visse gente morrendo sem respirar. O que mexeu muito com ele foi ver que tinham várias pessoas que estavam há mais tempo ali e ainda não haviam sido atendidas”, afirma Omena. O trauma permaneceu no paciente, mesmo diante da recuperação da mãe que foi transferida para Recife (PE) e aguarda o retorno para Manaus.</p>



<p>Segundo a psicóloga, o número de atendimentos de casos de pessoas com&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-04-20/um-mundo-de-ansiedade-medo-e-estresse.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">transtornos de ansiedade, pânico e depressão</a>, todos relacionados à covid-19, tem aumentado. As perdas, a impossibilidade da despedida, o isolamento e a falta de perspectiva compõem o quadro de adoecimento mental apontado por especialistas e que tende a se agravar no futuro.</p>



<p>Apoie a produção de notícias como esta. Assine o EL PAÍS por 30 dias por 1 US$<a href="https://apiservices.krxd.net/click_tracker/track?kx_event_uid=NqJG0P8a&amp;kx_distribuidor=redaccion&amp;kx_origen=elpais&amp;kx_disciplina=editorial&amp;kx_formato=ctamedio&amp;kx_creatividad=maradona&amp;kx_formato_creatividad=ctamedio_maradona&amp;kx_landing_destino=BRASIL&amp;clk=https://brasil.elpais.com/assinaturas/#/campaign?prm=elpais_redaccion_epmas_editorial_ctamedio_maradona_BRASIL">CLIQUE AQUI</a></p>



<p>Omena conta ainda que atendeu um socorrista de 64 anos que havia conseguido transportar o irmão, de 47 anos, com quadro grave de covid-19. Quatro dias depois, ele faleceu. Logo após enterrar o irmão, o próprio socorrista ficou doente e passou um mês debilitado. “Não teve tempo&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-08-08/luto-coletivo-a-dor-que-o-brasil-nao-consegue-viver.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">de viver o luto</a>, de viver a dor e agora tem medo de voltar ao trabalho. Por isso temos o desenvolvimento desses transtornos, as pessoas não têm tempo de assimilar a dor”, explica. “Para quem está no Amazonas, há constantemente uma vivência de perdas: perdemos a liberdade, os hospitais, os atendimentos médicos, perdemos o sistema de saúde primário, secundário. Tudo caiu. Tem ainda as perdas do amigo do amigo, do vizinho, do colega. Isso tudo gerou uma tristeza, o luto não é luto porque alguém falece, é um momento de transição, de quando a gente perde algo”, diz.</p>



<p>Por conta da demanda que vem recebendo, ela afirma que vem tentando convencer os colegas a ampliar a rede de escuta, por perceber que as pessoas não conseguem ajuda.</p>



<p>A coordenadora do projeto de acompanhamento psicológico online da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Sônia Maria Lemos, 57 anos, representante da universidade na Rede de Emergência em Saúde Mental do Amazonas, afirma que o que pode aparecer adoecimento emocional é, na maioria das vezes, um sofrimento emocional, natural em decorrência do momento vivido. “O problema é se a pessoa continua com esses sinais e isso impede que ele toque a vida adiante, aí podemos ter o adoecimento mental em decorrência da pandemia”, explica.</p>



<p>Para ajudar, ela e outros profissionais, de diversas instituições, articularam a rede de emergência em saúde mental, iniciativa que resultou na contratação de 50 profissionais para atuar no atendimento na rede pública do Amazonas, fato que ela considera histórico, dada à situação extremamente deficitária de política pública da área. “Em saúde mental, quanto maior o número de informações objetivas, corretas, mais segurança eu tenho de ter um comportamento adequado pra responder. Sempre tivemos subnotificação de casos.&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-12-20/chip-na-vacina-virar-jacare-e-outros-mitos-criam-pandemia-de-desinformacao-na-luta-contra-a-covid-19.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Quando mais conflito de informações&nbsp;</a>quanto mais volume de informações desencontradas, menor é a minha chance de confiar nelas. Aqui no Amazonas não podemos confiar em todos os níveis”, afirma a psicóloga Sônia Lemos.</p>



<p>“A pessoa que ocupa&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-01-21/pesquisa-revela-que-bolsonaro-executou-uma-estrategia-institucional-de-propagacao-do-virus.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a cadeira da presidência faz propaganda de tratamento que não funciona</a>, o governo do Estado compra equipamentos superfaturados de lugares que não vendem equipamentos de saúde, a primeira ação do novo prefeito foi burlar a fila de vacinação. Imagina como eu, pessoa, me sinto em relação a qualquer informação de saúde? Como vou querer que a saúde mental das pessoas encontre alguma coerência onde não há coerência, mas tristeza e frustração?”, indaga.</p>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-03-22/ao-vivo-ultimas-noticias-sobre-o-coronavirus-no-brasil-e-no-mundo.html"><em>Siga a cobertura em tempo real</em></a><em>&nbsp;da crise da covid-19 e&nbsp;</em><a href="https://brasil.elpais.com/ciencia/2020-07-23/evolucao-dos-casos-de-coronavirus-no-brasil.html"><em>acompanhe a evolução da pandemia no Brasil</em></a><em>.</em></p>



<p></p>



<p>Leia aqui o texto integral publicado originalmente no site do El País: <a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-16/amazonas-vive-a-dor-que-nao-cessa-apos-um-mes-de-colapso-na-saude.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://brasil.elpais.com/brasil/2021-02-16/amazonas-vive-a-dor-que-nao-cessa-apos-um-mes-de-colapso-na-saude.html</a></p>
<p>O post <a href="https://plataformabrasilia.com.br/noticias/amazonas-vive-a-dor-que-nao-cessa-apos-um-mes-de-colapso-na-saude/">Amazonas vive a dor que não cessa após um mês de colapso na saúde</a> apareceu primeiro em <a href="https://plataformabrasilia.com.br">PLATAFORMA BRASÍLIA</a>.</p>
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		<title>Brasil se prepara para turbulência puxada por Petrobras enquanto mercados globais acumulam alta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 22 Feb 2021 10:59:09 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Mercado]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Nas bolsas mundiais, petróleo atinge as maiores cotações nos últimos doze meses e analistas discutem risco de bolha. Bolsonaro injeta incerteza sobre estatal e fala em “meter o dedo” no setor de energia</p>
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<p><a href="https://brasil.elpais.com/autor/luis-doncel/">LUIS DONCEL</a><a href="http://twitter.com/ldoncel" target="_blank" rel="noreferrer noopener"></a>|<a href="https://brasil.elpais.com/autor/flavia-rodrigues-marreiro/">FLÁVIA MARREIRO</a>Madri / São Paulo&nbsp;&#8211;&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/acervo/2021-02-21/">21 FEV 2021 &#8211; 21:16</a></p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-21/desastre-do-texas-revela-a-fragilidade-dos-estados-unidos-diante-da-crise-climatica.html?rel=listapoyo">Desastre do Texas revela a fragilidade dos Estados Unidos diante da crise climática</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-20/naomi-klein-o-negacionismo-das-mudancas-climaticas-foi-o-ensaio-de-todos-os-negacionismos-que-vieram-depois.html?rel=listapoyo">Naomi Klein: “O ‘Green New Deal’ é um plano de emprego, é ainda mais relevante com a covid-19”</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/economia/2021-02-17/fantasmas-de-uma-nova-crise-espreitam-a-america-latina-em-meio-a-alta-dos-mercados-financeiros.html?rel=listapoyo">Fantasmas de uma nova crise espreitam a América Latina em meio à alta dos mercados financeiros</a></li></ul>



<p>O barril de petróleo do tipo Brent chegou perto dos 65 dólares (cerca de 350 reais) nesta semana, o maior valor em um ano, após o forte declive há dez meses, impacto da pandemia. Não é apenas o petróleo. Matérias-primas como o cobre estão atingindo seu pico em quase uma década, impulsionadas pela crescente demanda da China. As&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/economia/2021-02-17/fantasmas-de-uma-nova-crise-espreitam-a-america-latina-em-meio-a-alta-dos-mercados-financeiros.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">bolsas dos Estados Unidos</a>&nbsp;e da Ásia (nem tanto as europeias) nadam na abundância. No entanto,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/economia/2021-02-19/bolsonaro-indica-general-como-novo-presidente-da-petrobras-e-poe-mercado-em-alerta-por-temor-de-intervencao.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">nada disso se aplica ao Brasil ou à gigante estatal brasileira Petrobras.</a>&nbsp;Enquanto os analistas discutem se há risco de uma nova bolha na bonança global, o país se prepara para uma das semanas mais tensas na sua principal Bolsa, a de São Paulo, por conta das incertezas sobre o futuro da empresa e de outras sob controle do Governo, especialmente a Eletrobras, provocadas pelas recentes ações e declarações de Jair Bolsonaro.</p>



<p>O presidente brasileiro, que se elegeu dizendo aderir às teses liberais e pró-mercado, na sexta-feira indicou o general Joaquim Silva e Luna, ex-ministro da Defesa e atual diretor-geral da hidrelétrica Itaipu Binacional, para substituir Roberto Castello Branco no comando da Petrobras. A decisão, que precisa ser chancelada pelo conselho de administração empresa na terça-feira, veio depois de dias de críticas do presidente à política de preços dos combustíveis da estatal, atualmente atrelados à variação mundial. Só na sexta as ações da Petrobras chegaram a cair quase 8%.</p>



<p>No fim se semana, Bolsonaro resolveu dobrar a aposta e prometeu “mais mudanças”. Chamou o aumento do diesel acumulado no ano de “covardia” ―um claro aceno à estratégica categoria dos caminhoneiros que apoia o Planalto. Enquanto isso, seu indicado Silva e Luna&nbsp;<a href="https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/02/luna-nega-intervencao-de-bolsonaro-e-diz-que-produtos-finais-da-petrobras-sao-para-as-pessoas.shtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">dava à&nbsp;<em>Folha de S. Paulo&nbsp;</em>declarações mais amenas</a>: negou que a intenção seja qualquer intervenção na empresa. A apoiadores, o presidente prometeu ainda “meter o dedo na energia elétrica, que é outro problema também”. Foi o suficiente para que os analistas já anunciassem uma segunda-feira agitada. Não só para a Petrobras, mas também para a Eletrobras e a cotação do dólar frente ao real. No domingo, a XP investimentos estimou que o real deve cair 2% em relação à moeda americana nesta segunda-feira e que o índice Ibovespa deve recuar 4%,&nbsp;<a href="https://valor.globo.com/empresas/noticia/2021/02/21/real-deve-se-depreciar-2-pontos-percentuais-e-o-ibovespa-deve-cair-4-nesta-segunda-diz-xp.ghtml?GLBID=1a1f8396e386c1ef74cc69710a818676b4d344c422d34445f595636374771385059345955704e3637534a666832366b65554b7277467179466d6f4b6d67517531393566627a6544686e7258493362513474495a72736b317653782d4879316d344a485a4d37773d3d3a303a6e6f7469636961732e656c2e32303133" target="_blank" rel="noreferrer noopener">de acordo com a sondagem feita com clientes institucionais.</a></p>



<h3 class="wp-block-heading">Bonança mundial e risco de bolha</h3>



<p>Longe das crises autoinfligidas do Brasil, o mundo mira para a alta das commodities. Algumas vozes alertam agora para um aquecimento excessivo dos mercados. A questão é se estamos assistindo apenas a uma melhora racional ou à gênese de outra bolha em algum dos setores em&nbsp;<a href="http://xn--expanso-2wa.na/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">expansão.&nbsp;</a>Na terceira edição de seu livro&nbsp;<em>Exuberância Irracional</em>, publicado em 2015, o prêmio Nobel de Economia&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/economia/2020-04-13/como-sera-a-economia-apos-o-coronavirus.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Robert J. Shiller</a>&nbsp;disse que parecia lógico pensar que as pessoas tivessem aprendido a lição com o último impacto financeiro para não voltarem aos mercados em expansão. “Mas as evidências de que existem bolhas têm se precipitado desde a crise”, acrescentou.</p>



<p>Os especialistas consultados reduzem o tom do alarme. A ideia mais difundida é que os mercados já enxergam o fim da crise econômica&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-12-30/atraso-do-brasil-em-comecar-vacinacao-contra-covid-19-estende-crise-e-retarda-retomada-da-economia.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">provocada pela pandemia que, graças às vacinas, poderia ser superada durante o segundo semestre</a>. Os perigos para a estabilidade financeira estão à espreita: existe medo tanto de que uma nova mutação do coronavírus arruíne tudo o que se avançou quanto de um excessivo aquecimento dos mercados que acabe gerando alta inflação ou novas bolhas. Mas esses riscos, por enquanto, são baixos.</p>



<p>O combustível com o qual se queima mais madeira está claro. Os pacotes de estímulos que os Governos de meio mundo aprovaram para combater a crise ―o mais recente é o plano de 1,9 trilhão de dólares (cerca de 10,23 trilhão de reais) que a&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/joseph-biden/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">gestão Biden</a>&nbsp;finaliza nos Estados Unidos―, bem como o fluxo de recursos injetados desde muito tempo pelos bancos centrais enche a economia de liquidez. “É verdade que existe um acúmulo de estímulos que pode ser até excessivo, mas neste momento é melhor errar pela prudência. Se nada der errado ao longo do caminho, poderemos assistir a uma saída da crise um pouco mais potente do que acreditávamos até recentemente”, afirma José Manuel Amor, diretor de Análise Financeira da consultoria Afi. “As coisas estão simplesmente voltando ao seu curso, à certa normalidade de uma economia que, no final de 2019, antes do terremoto do coronavírus, desacelerava lentamente”, acrescenta o analista Juan Ignacio Crespo. Certa normalidade é, por exemplo, que o barril de&nbsp;<em>brent</em>&nbsp;esteja sendo negociado em torno de 63 dólares. É verdade que a alta do petróleo é fortemente influenciada por fatores circunstanciais, como a nevasca histórica no Texas ou a diminuição da produção na Arábia Saudita, mas também há uma corrente de fundo de melhora na demanda e nas perspectivas econômicas.</p>



<p>As bolsas também se beneficiam dessas melhores expectativas, mas nem todas. Enquanto os índices nova-iorquinos Dow Jones e S&amp;P mais do que recuperaram seus níveis pré-crise ―sem falar no&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/nasdaq/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">tecnológico Nasdaq</a>, que quase dobrou seu nível de março do ano passado―, os europeus ainda estão longe de reconquistar tudo o que perderam por causa da crise do coronavírus. O Ibex espanhol está quase 20% abaixo de onde estava há um ano.</p>



<p>Na reunião de janeiro, os diretores do<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/reserva-federal/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&nbsp;Federal Reserve</a>, o Banco Central dos EUA, mostraram preocupação com a elevada valorização de alguns ativos, de acordo com as atas publicadas nesta semana. O Banco Central Europeu também discutiu em sua última reunião a possibilidade de que o recente aumento da rentabilidade do mercado de dívida esteja antecipando pressões altistas sobre os preços. Mas o órgão chefiado por Christine Lagarde descarta os riscos inflacionários e continua apostando na manutenção dos estímulos.</p>



<p>Voltando ao título do livro de Robert J. Shiller, até que ponto esses altos e baixos respondem a dados fundamentais da economia ou são apenas mais um exemplo de mercados cada vez mais difíceis de entender? “As bases dessa exuberância são as políticas de dinheiro barato dos bancos centrais. Há uma boa parte de irracionalidade em alguns movimentos, especialmente nas criptomoedas. Tudo indica que alguns segmentos do mercado estão caindo em excessos”, respondeu o presidente do Banco Renta 4, Juan Carlos Ureta, a este jornal na quinta-feira em um evento organizado para discutir o caso GameStop e a entrada maciça de pequenos investidores na Bolsa. “Quando a volatilidade nos mercados financeiros vem de fenômenos psicológicos ela não é boa, porque os mercados começam a parecer casinos”, acrescentou o ex-presidente da Comissão Nacional do Mercado de Valores (CNMV), Manuel Conthe. Outro caso de exuberância nos mercados, neste caso bastante irracional.</p>



<p>Leia o texto originalmente publicado em El País Brasil clicando aqui: <a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-22/brasil-se-prepara-para-turbulencia-puxada-por-petrobras-enquanto-mercados-globais-acumulam-alta.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-22/brasil-se-prepara-para-turbulencia-puxada-por-petrobras-enquanto-mercados-globais-acumulam-alta.html</a></p>
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		<title>Desastre do Texas revela a fragilidade dos Estados Unidos diante da crise climática</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 21:25:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Clima]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A maior nevasca registrada no Estado sulista provoca cortes de energia por mais de três dias e as autoridades pedem que metade da população ferva a água após rompimento de encanamentos</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p><strong><em>Antônia Laborde, El País</em></strong></p>



<p>No&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/texas/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Texas</a>, quando se fala de frio, o termômetro marca 10 graus. Quando se fala de muito frio, pode chegar até 2. A inusitada tempestade de inverno que açoitou o Estado sulista nesta semana fez com que várias cidades batessem seu recorde de temperatura mínima e em&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/houston/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Houston</a>&nbsp;—a cidade mais populosa do Estado e a quarta do país— a sensação térmica chegasse a 20 graus negativos.</p>



<p>Em desespero, as pessoas acenderam churrasqueiras ou se enfiaram nos carros dentro de garagens para tentar se aquecer, o que causou algumas das 30&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/frio/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mortes relacionadas à onda de frio</a>. Nas terras do maior produtor de gás natural,&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/petroleo/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">petróleo</a>&nbsp;e energia eólica dos EUA, mais de quatro milhões de residentes sofreram cortes de energia por 72 horas e dezenas de milhares ainda permanecem às escuras. O colapso da rede elétrica desencadeou um debate sobre a situação da infraestrutura e também, entre ambientalistas e céticos da&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/cambio-climatico/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">mudança climática</a>, sobre as energias renováveis.</p>



<p>Neste sábado as ruas não estavam mais inundadas de neve e as temperaturas subiram, mas a tragédia continua muito presente nas casas. Metade dos 29 milhões de habitantes do Estado tem ordem de ferver a água (para beber, cozinhar ou escovar os dentes) por causa da possível contaminação decorrente do rompimento de encanamentos. Mais de 700 sistemas de abastecimento de água foram afetados. A situação crítica forçou os hospitais a tomar medidas extremas: um estabelecimento de Houston colocou baldes no telhado para coletar gotas de chuva e usar essa água para limpar os vasos sanitários; em outro, em&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/austin/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Austin</a>&nbsp;(capital do Texas), parte dos funcionários teve que cobrir as mãos com sacos de lixo para remover as fezes das privadas.</p>



<p>Dada a falta de ações preventivas e a evidente precariedade dos serviços e da infraestrutura, a comunidade texana, ainda incrédula com o que está sofrendo em meio a uma&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/pandemia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">pandemia</a>, exige uma explicação que as autoridades até agora não foram capazes de dar.</p>



<p>A pior nevasca registrada na história do Texas, com temperaturas abaixo de zero no início da semana em todo o seu território (um pouco maior do que o da&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/francia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">França</a>), alimentou uma demanda de energia sem precedentes. Quando milhões de casas ligaram a calefação, os geradores, que não estavam preparados para esses níveis de demanda, entraram em colapso. Ao mesmo tempo, o frio extremo causou o congelamento de parte dos equipamentos necessários para o funcionamento da rede elétrica do Estado. Essa combinação fez com que os cortes de 45 minutos, anunciados para se manter a estabilidade da rede elétrica, se estendessem por mais de três dias em algumas residências. Neste sábado, pelo menos 80.000 casas e negócios ainda estavam às escuras.</p>



<p>Enrique Quintero, 50 anos, não tomou banho durante quatro dias. Sem eletricidade nem água, decidiu ficar na loja de móveis em que trabalha, a Gallery Furniture. O conhecido espaço comercial de Houston, de 10.000 metros quadrados, esta semana se tornou um refúgio que recebia mais de 300 pessoas todas as noites em busca de abrigo e comida. As famílias se amontoavam nas camas à venda, algumas por mais de 5.000 dólares (27.000 reais). Outras preferiram dormir nos sofás de couro texano, alguns por 8.000 dólares (43.000 reais). Jim McIngvale, o dono do negócio, uma celebridade da cidade, disse a este jornal na noite de sexta-feira em sua loja que decidiu abrir as portas porque “as pessoas estavam precisando. Muitos idosos estavam sozinhos, no escuro, sem poder carregar seus celulares”. McIngvale não perde a oportunidade: “Vieram aqui pelos bons colchões.”</p>



<p>O governador republicano Greg Abbott fez acusações ao&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-20/naomi-klein-o-negacionismo-das-mudancas-climaticas-foi-o-ensaio-de-todos-os-negacionismos-que-vieram-depois.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Green New Deal, o plano de combate às mudanças climáticas</a>&nbsp;proposto pela ala esquerda do&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/pdeu-partido-democrata-estados-unidos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Partido Democrata</a>, em uma de suas primeiras coletivas de imprensa desde que começou a nevar no Texas. Os fatos “simplesmente revelam que os combustíveis fósseis são necessários”, disse Abbott, aludindo às falhas causadas pela queda de neve nas usinas eólicas. “Isso é o que acontece quando a rede é forçada a depender em parte do vento como fonte de energia”, tuitou o congressista republicano Dan Crenshaw na terça-feira. O Conselho de Confiabilidade Elétrica do Texas (Ercot, na sigla em inglês), órgão supervisor da distribuição de energia elétrica no Estado, esclareceu que as turbinas eólicas congeladas foram o fator “menos significativo” nos apagões.</p>



<p>As centrais elétricas de gás natural geraram 46% da eletricidade do Texas em 2020, de acordo com o Ercot. As eólicas, 23%; as de carvão, 18%; as nucleares, 11%, e apenas 2% veio da energia solar. “Um Estado que se orgulha de sua produção de eletricidade deixou milhões de seus cidadãos congelados na escuridão. Não é só incompetente, é criminoso”, acusou o deputado democrata do Congresso do Texas James Talarico, destacando que a crise não se deveu a um desastre natural, mas a “anos de investimento insuficiente, desregulamentação e negligência”.</p>



<p>Leia clicando aqui o texto originalmente publicado em El País Brasil: <a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-21/desastre-do-texas-revela-a-fragilidade-dos-estados-unidos-diante-da-crise-climatica.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-21/desastre-do-texas-revela-a-fragilidade-dos-estados-unidos-diante-da-crise-climatica.html</a></p>
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		<title>Mundo consolida o primeiro retrocesso do coronavírus desde o início da pandemia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[EL PAÍS]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 21 Feb 2021 12:16:42 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Notícias]]></category>
		<category><![CDATA[Pandemia]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Pela primeira vez, contágios caminham para a sexta semana de queda enquanto mortes tem a terceira semana de queda, o que já é uma tendência clara. Especialistas atribuem mudança às medidas de combate da covid-19 e à sazonalidade</p>
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<p>Até poucas semanas atrás, a&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/coronavirus/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">curva do coronavírus</a>&nbsp;no mundo não parava de subir. Com alguns pequenos altos e baixos, os novos casos diários de abril do ano passado aumentaram em comparação com os de março de 2020; os do verão europeu superaram os da primavera e o inverno bateu todos os recordes. Mas a direção da curva mudou. Pela primeira vez desde o surgimento da covid-19, caminha para seis semanas consecutivas de declínio de novos casos e três de mortes, o que não pode mais ser considerado um artifício estatístico: trata-se de uma tendência clara.</p>



<p>A má notícia é que, como vimos com as curvas de cada país, as quedas não são definitivas. Até esta última onda, falando do vírus, tudo o que desce acaba subindo. E isso, na opinião dos especialistas consultados, é o que provavelmente acontecerá com o mundo depois do declínio do que, somando todos os dados globais, poderia parecer uma única onda enorme de lento avanço que agora recua rapidamente. No Brasil, a oscilação tem sido para cima. Há um mês, o país registra uma média de mortes superior aos 1.000 casos diários, de acordo com o&nbsp;<a href="https://g1.globo.com/bemestar/coronavirus/noticia/2021/02/19/brasil-completa-30-dias-com-media-movel-acima-de-1-mil-mortos-por-covid-total-chega-a-2449-mil.ghtml" target="_blank" rel="noreferrer noopener">consórcio de veículos de imprensa</a>.</p>



<p>Mas referir-se a ondas quando se fala em tendências globais não faz muito sentido, como aponta Daniel López Acuña, ex-diretor de emergências da&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/noticias/oms-organizacion-mundial-salud/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Organização Mundial da Saúde</a>&nbsp;(OMS). “Quando somamos as oscilações de muitos países, as reduções de alguns se sobrepõem aos aumentos de outros e, na soma, em um gráfico, as tendências se achatam. O vírus se move em ondas, como vimos em todos os países, que sobem e descem em função principalmente das medidas que estamos aplicando”, afirma.</p>



<p>O que é indiscutível é que essa somatória é cada vez menor. De acordo com dados da OMS, a pandemia atingiu o pico na semana de 4 de janeiro, com mais de cinco milhões de novos positivos. Na semana passada, a última para a qual há dados consolidados, esse número caiu para quase a metade: 2,7 milhões dos 110 milhões de positivos que a pandemia acumula. E o número continuará diminuindo, com certeza. A tendência das mortes é semelhante, mas está atrasada: estabilizou-se em um patamar em abril de 2020, que se manteve mais ou menos estável até outubro. Com o inverno no hemisfério norte, as mortes dispararam, atingindo seu máximo na última semana de janeiro: mais de 98.0000. Na semana passada foram 82.538 e somam quase 2,5 milhões desde o início da crise.</p>



<ul class="wp-block-list"><li><a href="https://brasil.elpais.com/ciencia/2021-02-16/inteligencia-artificial-aponta-onde-um-novo-coronavirus-pode-surgir.html?rel=listapoyo">Inteligência artificial aponta onde um novo coronavírus pode surgir</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/opiniao/2021-02-18/com-so-10-paises-recebendo-75-das-vacinas-fracasso-moral-vem-em-elevadas-doses.html?rel=listapoyo">Com só 10 países recebendo 75% das vacinas, fracasso moral vem em elevadas doses</a></li><li><a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-10-03/mascaras-e-distancia-social-nao-irao-deter-a-proxima-pandemia-tomar-cuidado-com-o-carrinho-de-compras-sim.html?rel=listapoyo">Máscara e quarentena não irão deter outra pandemia. Tomar cuidado com o carrinho de compras, sim</a></li></ul>



<p>As razões para essa queda podem ser várias. Uma delas é que nessa representação os países que mais fazem testes têm mais peso: pouco se sabe sobre a verdadeira magnitude da&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2021/01/26/album/1611668052_258340.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">covid na África</a>, por exemplo. Todos os dados expostos, sempre da OMS, são de contágios confirmados, não de contágios reais, que são muito superiores mesmo nos países mais desenvolvidos, principalmente nos momentos iniciais, quando não havia testes suficientes. E nos Estados com maior capacidade diagnóstica, a epidemia está em fase de declínio após o Natal. Entre eles, dois dos que têm mais volume total de casos, os Estados Unidos e o Reino Unido, estão experimentando quedas notáveis. “Estão puxando fortemente para baixo as estatísticas mundiais”, diz Elvis García, doutor em epidemiologia pela Universidade de Harvard. Isto, somado à forte queda na maioria dos países europeus, se reflete claramente na curva global. A tendência na América Latina, África e Ásia também é de baixa, mas com uma queda muito mais suave e sem contribuir nunca com tantos positivos. No caso deste último continente, o declínio começou no início de dezembro.</p>



<p>Embora os dois países com maior declínio (Estados Unidos e Reino Unido) também sejam dois dos que têm maior vantagem na vacinação de sua população, os especialistas acreditam que seu efeito ainda é marginal na queda da pandemia. Antonio Trujillo, professor de Saúde Pública da Universidade Johns Hopkins, em Baltimore, explica que pode haver um componente sazonal: “Esperávamos que quando o inverno chegasse no hemisfério norte, os casos aumentariam. Não só porque há mais reuniões em espaços fechados, onde podem ocorrer mais infecções, mas por causa da natureza do vírus e da experiência que tivemos com ele depois de um ano “.</p>



<p>Levando em consideração que a queda nos Estados Unidos, em termos absolutos, é a maior do mundo, Trujillo destaca as mudanças ocorridas neste país nas últimas semanas: “As novas variantes estão fazendo com que as pessoas tomem consciência e se protejam mais. O uso de máscaras aumentou e o forte crescimento de casos entre o fim do outono e o início do inverno serviu para que a sociedade levasse as medidas mais a sério. Tudo isso pode ser ainda mais influenciado pela mudança política que colocou mais ênfase na luta contra o vírus”. Por fim, o especialista acrescenta outro componente que pode estar começando a ser percebido: a imunidade da população adquirida pelos contágios.</p>



<h2 class="wp-block-heading">O ‘incêndio’ continua</h2>



<p><a href="https://brasil.elpais.com/brasil/2020-12-01/oms-faz-alerta-ao-brasil-e-mexico-sobre-o-curso-da-pandemia.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Tedros Adhanom Ghebreyesus</a>, diretor-geral da OMS, considera que o declínio global “demonstra que as medidas simples de saúde pública funcionam, inclusive na presença de variantes”. Em uma entrevista coletiva concedida no dia 15 de fevereiro, destacou que o importante agora é manter a tendência: “O incêndio não está apagado, mas reduzimos seu tamanho. Se o abandonarmos em alguma frente, ele se reavivará com fúria. Cada dia que passa com menos infecções significa vidas salvas, sofrimentos evitados e o alívio, mesmo que seja pequeno, da pressão sobre os sistemas de saúde. E hoje temos ainda mais razões para ter a esperança de poder controlar a pandemia”.</p>



<p>A curva pode mudar de direção a qualquer momento. “Estamos em um momento em que temos de aproveitar para nos preparar para as próximas ondas”, aponta López Acuña, que insiste em manter as medidas em vigor para atrasar ao máximo a subida, que na Espanha seria a quarta onda. Quanto mais tempo demorarem, mais pessoas vulneráveis serão vacinadas e menos vidas serão perdidas. É difícil que isso aconteça a tempo em países de renda baixa e média. Mesmo entre os mais ricos da América Latina, como Argentina e Chile, o próximo inverno ainda pode fazer muitos estragos, na opinião de Trujillo.</p>



<p>Além disso, as novas variantes do coronavírus recomendam prudência. “Se levantarmos o pé com as restrições, as novas variantes podem se propagar rapidamente”, alerta Elvis García. Evidências atuais mostram que a variante britânica é mais contagiosa do que as outras e que as variantes sul-africana e brasileira podem responder pior às vacinas. Tudo isso, somado à incerteza em outras regiões do mundo, nos impede de cantar vitória.&nbsp;<a href="https://brasil.elpais.com/sociedade/2020-10-03/mascaras-e-distancia-social-nao-irao-deter-a-proxima-pandemia-tomar-cuidado-com-o-carrinho-de-compras-sim.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A pandemia</a>, em maior ou menor medida, certamente nos acompanhará durante todo este ano.</p>



<p>Leia o texto originalmente publicado no El País clicando aqui: <a href="https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-20/mundo-consolida-o-primeiro-retrocesso-do-coronavirus-desde-o-inicio-da-pandemia.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://brasil.elpais.com/internacional/2021-02-20/mundo-consolida-o-primeiro-retrocesso-do-coronavirus-desde-o-inicio-da-pandemia.html</a></p>
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